Cultura

Os adjetivos anómalos

Os adjetivos anómalos

Há alguns adjetivos que formam os comparativos e os superlativos de modo irregular, designando-se de anómalos.

É o caso de bom/melhor; mau/pior; grande/maior; pequeno/menor.

Porém, segundo Celso Cunha e Lindley Cintra, na "Nova Gramática do Português Contemporâneo" (Lisboa, Edições Sá da Costa, 1984), existem duas formas de comparativo de superioridade destes adjetivos: a irregular/especial, (melhor; pior; maior; menor) e a regular/analítica (mais bom; mais mau; mais grande; mais pequeno). Porém, o uso da regular está restrito a uma situação específica, razão pela qual pode ser considerado um caso de exceção.

Na verdade, somente quando são confrontadas duas qualidades ou atributos do mesmo ser/objeto é que é possível o emprego de "mais grande" ou de "mais maior". Vejamos o seguinte exemplo: Este livro é mais grande do que bonito.

Na realidade, não se poderia utilizar a forma irregular, pois a frase ficaria estranha (*Este livro é maior do que bonito).

O mesmo acontece com os outros adjetivos que formam o comparativo de forma irregular: O cão é mais mau do que meigo; O homem é mais bom do que interesseiro.

Assim, o uso das formas regulares, neste caso específico de exceção, torna a frase mais explícita, pois o emprego das formas irregulares dificultaria a sua compreensão.

Contudo, quando se comparam qualidades de dois seres ou de dois objetos, deve-se utilizar a forma irregular deste tipo de adjetivos. Eis alguns exemplos: O meu quarto é maior do que o teu. A tua vida é melhor do que a minha. O meu carro é pior do que o teu.

Relativamente ao superlativo absoluto, estes adjetivos apresentam as seguintes formas: bom/ótimo; mau/péssimo; grande/máximo; pequeno/mínimo.

Quanto ao superlativo relativo, temos "o melhor"; "o pior"; "o maior" e "o menor".

* Professora de Português e formadora do acordo ortográfico

jn.acordoortografico@gmail.com