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Dramaturgia russa, teatro português e entretenimento americano

Dramaturgia russa, teatro português e entretenimento americano

"Nós não somos felizes, e a felicidade não existe; apenas podemos desejá-la", escreveu o dramaturgo russo Anton Tchékhov na peça "As três irmãs". Esse desejo de evasão e de felicidade é o motor do novo confinamento. Tal como as três irmãs sonhavam ir para Moscovo, também nós ansiamos, com inflamada esperança, regressar à vida pré-pandémica.

Em "Formas breves", compilação de ensaios publicada em 1999, o escritor argentino Ricardo Piglia fala sobre Edgar Allan Poe como o fundador do conto clássico, e sobre Anton Tchékhov como o fundador do conto moderno. Hoje assinala-se a publicação do poema "O corvo" de Allan Poe e também a data de nascimento de Anton Tchékhov.

Os dois autores, editados em português, são boas sugestões para ler durante o confinamento, uma porta de evasão da realidade. Em 2012, o filme "O corvo" foi lançado e está também disponível online.

Quando foi decretado o novo confinamento o Teatro Nacional de S. João, no Porto, tinha em cena a obra "As três irmãs", numa curiosa versão do Ensemble que contou com várias récitas. A sua carreira foi interrompida mas o TNSJ tem agora uma interessante programação online. A partir desta sexta-feira apresenta "Sons mentirosos misteriosos", um espetáculo de Sofia Dias e Vitor Roriz para o público juvenil. Respondendo à pergunta "podem os sons mentir?", apresentam uma paisagem sonora falsa, criada por um artista, para quem os sons são matéria moldável. "É o som que conduz a ação, que induz a sensação de mistério e tensão", afirmam os criadores, instigando a imaginação.

Também o Teatro Nacional D. Maria II abre a programação online hoje com "Carta", uma criação de Mónica Calle que esteve em cena na Sala Garrett durante apenas três récitas antes do novo confinamento. Pode ser visto online até 12 de fevereiro. O acesso custa 3 euros. Para o público infantil, o TNDM II também organizou um programa na Salinha Online com mais de 20 histórias de acesso gratuito.

Hoje assinalam-se também os 17 anos em que Jorge Silva Melo, diretor dos Artistas Unidos recusou o Prémio Almada, do Instituto das Artes, dirigido à época por Paulo Cunha e Silva. Na altura invocou o lema da companhia, "Sem Deus nem chefe". E disse: ""Não gosto de prémios de Estado porque acredito - fui educado assim - que o artista é por natureza um traidor ao poder instituído. O artista desenvolve a sua atividade contra o Estado e, por isso, deve ser reconhecido por associações profissionais. O Estado não tem o direito de premiar passados". As associações profissionais do setor cultural levam amanhã a cabo um protesto online contra a política do Estado.

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Hoje cumprem-se também seis anos do desaparecimento do compositor José da Ponte, diretor da Sociedade Portuguesa de Autores. Aqui a sua composição "Não sejas mau para mim".

Como num guião perfeito, terminamos as sugestões com uma história de superação à americana, com o documentário de Oprah Winfrey disponível na Netflix. A apresentadora, uma das mulheres mais influentes do Mundo completa hoje 67 anos.

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