Arte do dia

Em casa, na véspera de voltar para casa

Em casa, na véspera de voltar para casa

Marcando o calendário com liberdade na forma de jazz, teatro e uma instalação no mundo real, exterior, um talk show que fez História e ternura com saxofone e piano.

Em processo de recolha de víveres para usufruto doméstico na forte eventualidade de reconfinamento? Comece-se pelo princípio. O jazz parece ter entrado em 2021 melhor e mais depressa do que os géneros restantes. Exemplo disso é "Maquishti" ("liberdade" no dialeto nahuatl), o álbum de estreia em nome próprio de Patricia Brennan, vibrafonista e marimbeira mexicana. É publicado sexta-feira 15 e inclui improvisos como "Solar", que se despega da Terra e baloiça entre estrelas. Misterioso e lúdico.

Antes do, mais uma vez eventual, encerramento para balanço forçado, há teatro lá fora, na vida a todas dimensões, que não foi feito para ser ignorado. Um exemplo entre muitos, de Norte a Sul: "As três irmãs", de Anton Tchékhov, encenado por Carlos Pimenta, interpretado por Emília Silvestre, Isabel Queirós, Margarida Carvalho, Jorge Mota, António Afonso Parra, no palco do Teatro Carlos Alberto, Porto. É uma peça sobre um desejo de futuro baseado na experiência feliz do passado.

Ainda no mundo exterior, conheça-se "Primeiras impressões de uma paisagem", uma exposição que é uma instalação vídeo que é um primeiro esboço do filme homónimo de João Nisa. Contém seis projeções que mostram paisagem filtrada a partir do interior do Aqueduto das Águas Livres, em Lisboa. Vê-se na Solar - Galeria de Arte Cinemática, em Vila do Conde, até 27 de fevereiro, e revela cenários familiares, agora granulados.

Agora em casa, talvez de vez. Dick Cavett protagonizou o que será, porventura, o melhor talk show nascido na América. Entre 1968 e 2007 (com várias interrupções) entrevistou, com sabedoria e humor e suave carisma, uma galeria de gente das artes e da política literalmente sem par. Alguns entre imensos: Jimi Hendrix e Orson Welles, John Cassavetes e Salvador Dalí, Janis Joplin e Katharine Hepburn, Alfred Hitchcock e Henry Kissinger. A História fazia-se ali, e uma parcela preciosa está alojada na página "The Dick Cavett Show" no YouTube. O debate abaixo, ou épica batalha campal de palavras, entre Gore Vidal e Norman Mailer (com outra escritora, Janet Flanner, no meio do fogo cruzado), é um exemplo incandescente.

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A fechar, mais uma prova de que o jazz já deu duas voltas de avanço neste janeiro: o saxofone alto de Miguel Zenón e o piano de Luis Perdomo numa versão terna de "La vida es un sueño". Está no álbum "El arte del bolero". Sonhemos.

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