Cultura

Escritores dizem que "ausência da Feira do Livro do Porto não faz o menor sentido"

Escritores dizem que "ausência da Feira do Livro do Porto não faz o menor sentido"

O presidente da Associação Portuguesa de Escritores, José Manuel Mendes, lamentou a notícia da suspensão da Feira do Livro do Porto e disse que a ausência do evento "não faz o menor sentido".

Em declarações à Lusa, José Manuel Mendes classificou o cancelamento da feira de 2013 como "doloroso e intolerável" e salientou que, "num tempo em que tanto se faz imperiosa a presença do livro na cidade, na vida de todos, a não-existência da feira contribui para o avolumar de todas as densidades trágicas que atravessam a vida pública portuguesa".

"Gostaria que, de alguma forma, escritores e livreiros, pudessem encontrar, juntamente com editores e outras instituições, um espaço de fazer existir no ano em curso algo que pudesse recuperar a tradição da feira do livro, ainda que em condições transitórias", acrescentou o presidente da Associação Portuguesa de Escritores (APE).

Embora deixe o apelo para que as instituições e pessoas do Porto ligadas ao livro se unam para levar adiante uma alternativa à feira do livro, José Manuel Mendes ressalva "não acreditar muito" que tal aconteça, preferindo a expressão "desejaria".

Com maior ou menor apoio quer da Câmara Municipal do Porto quer do Estado quer das instituições locais, o presidente da APE desafia os livreiros e editores a terem um "sentido de risco e de ousadia".

A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) suspendeu a edição de 2013 da Feira do Livro no Porto por "falta de condições financeiras", informou hoje a Câmara do Porto, que "lamenta" tal decisão e garante organizar uma alternativa.

A APEL "optou pela suspensão da feira no ano em curso, alegando falta de condições financeiras para a sua realização, tanto mais que admite a possibilidade de se vir a registar um avultado prejuízo por força da forte quebra nas vendas, que facilmente se adivinha neste dramático cenário económico-social em que estamos mergulhados", referiu comunicado da autarquia.

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Por seu lado, a APEL criticou o entendimento "errado" da Câmara do Porto sobre a Feira do Livro na cidade, suspensa este ano por falta de financiamento, mas espera que o certame volte em 2014.

"Para os editores que estão presentes é sempre um esforço. Mas não é esse o entendimento [da câmara]. O entendimento é que se trata de uma atividade comercial pura e simples e portanto não justifica, não coincide com os interesses da câmara neste momento [e] não é essa a nossa opinião", disse à Lusa João Alvim, presidente da APEL, que considera "errado" o "ponto de vista" da autarquia do Porto.

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