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Regressar ao futuro 20 anos depois

Regressar ao futuro 20 anos depois


Escritos há um quarto de século, os artigos que o jornalista Helder Bastos publicou no JN sobre o advento da era digital continuam "estranhamente atuais", segundo o seu autor. Razões mais do que suficientes para a reunião dos textos em livro, lançado nesta quarta-feira, no auditório do jornal.

No dia em que passaram 20 anos sobre a publicação da sua última crónica no JN, Helder Bastos regressou à redação do jornal para apresentar o livro "Crónicas do fim do século", que reúne os textos dessa rubrica.

Entre 1994 e 1999, o atual diretor do curso de Ciências da Comunicação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto assegurou todas as semanas a rubrica "Comunicarte", um espaço que, apesar do nome, versava também sobre temas como o ensino, a cultura e a própria democracia.

"Se esses artigos não tivessem data, passariam por atuais", defendeu o autor de "Crónicas do fim do século", impelido "por colegas e amigos" a levar por diante a publicação após a leitura dos artigos.

Afinal, nesse conjunto de crónicas já o seu autor alertava para a vigilância dos cidadãos no ciberespaço, a perda de privacidade, o risco de alienação e de dependência, a desinformação, os conteúdos extremos ou do cibercrime. Riscos que hoje são evidentes, mas que há 25 anos estavam muito longe de serem vistos como tal.

Na apresentação da obra, o diretor do "Jornal de Notícias", Domingos de Andrade, destacou o modo como Helder Bastos "começou a profetizar a nova vaga", numa altura em que "a ferocidade da tecnologia começava a entrar nas redações".

As virtudes do livro agora editado pela Afrontamentos não se esgotam no "longo caminho de reflexão" que propõem, mas também por serem "um bom exercício de passado, presente e futuro".

Já Júlio Roldão, editor da secção ("Nacional") na qual as crónicas foram originalmente publicadas, enalteceu "a busca permanente da verdade" feita pelo autor das crónicas. A "preocupante atualidade" destes textos deve-se, segundo Roldão, ao modo como conseguiram captar "a evolução tecnológica e a regressão democrática".


Entre elogios a Fernanda Santos - "a verdadeira autora do livro", por ter assegurado, com "grande pesquisa e dedicação", a tarefa da pesquisa - , Helder Bastos confessou sentir-se um "privilegiado" por ter sido testemunha de um período histórico. "Foi naqueles últimos anos do século XX que a sociedade atual ganhou forma. Do teletrabalho ao 'homebanking' há imensas evoluções que começaram a ser desenhadas nesse período. Foram, acima de tudo, 25 anos que andaram brutalmente depressa", assinalou.