Conhecer a máquina que habitamos

Conhecer a máquina que habitamos

Bill Bryson explica com mestria inegável o funcionamento do organismo no seu novo livro, "O corpo, um guia para ocupantes".

Alguns escritores, não tantos quantos poderíamos pensar à partida, têm o dom de transformar qualquer tema, por mais árido que pareça, num repositório infinito de curiosidades. O norte-americano Bill Bryson é um desses raríssimos casos. Quer escreva sobre a origem do universo ou sobre o sistema parlamentar britânico, o autor de "Breve história de quase tudo" esforça-se por lançar um olhar diferente, quando não inovador, sobre assuntos em relação aos quais (assim pensávamos nós, pelo menos) não havia muito mais a acrescentar.

Ao eleger o corpo humano como centro do seu trabalho, esperar-se-ia que desta vez Bryson se abstivesse de percorrer milhares de quilómetros pelo mundo fora, como aconteceu com alguns dos projetos anteriores. Puro engano. Para conseguir acesso a alguns dos mais reputados especialistas em diferentes órgãos do corpo humano, o escritor natural do Iowa não abdicou de fazer verdadeiras jornadas de conhecimento, que a grande maioria acharia decerto exaustivas, mas que para o próprio são verdadeiros manjares para o seu espírito. Mas mergulhou também em bibliotecas, procurando tornar acessível o que vem plasmado em manuais de medicina ou biologia.

O resultado é um guia cujo grau de interesse que suscita só encontra paralelo no espanto pelo grau de detalhe e perfeição do corpo humano. Um feito ainda mais admirável se levarmos em conta que "todos os químicos que compõem um corpo humano podem ser adquiridos numa drogaria" por menos de cinco euros.

Descomplicador nato, Bill Bryson esmiúça cada órgão do nosso corpo. Mesmo quando nos parece brindar com trivialidades - sabia que um indivíduo pestaneja em média 14 mil vezes por dia? - é sempre para, de seguida, nos desarmar com uma informação relevante, como a que nos garante que os nossos olhos estão fechados durante 23 minutos do tempo que passamos acordados.

Mais impressionante ainda é a quantidade de tarefas que um corpo desempenha em apenas 24 horas. Um número tão elevado que não está sequer ao alcance da nossa imaginação e ultrapassa até o número de átomos necessários para formar uma pessoa: qualquer coisa como sete mil milhões de mil milhões de mil milhões (ou seja, 7 000 000 000 000 000 000 000 000 000, cerca de oito octiliões)...

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