Contra os unanimismos, marchar, marchar

Contra os unanimismos, marchar, marchar

A indignação que sentiu pela "capitulação face ao medo" levou o pensador francês a escrever um pequeno ensaio a que deu o título "Este Vírus que nos Enlouquece", já disponível nas livrarias.

É contra "um mundo onde reinam os técnicos da ventilação, os vigilantes gerais do estado de emergência, os delegados da agonia", mas também contra "um mundo de donos de cães" que "se comportam como cães", que se insurge Bernard-Henri Lévy no seu novíssimo ensaio, um relato em tom bastas vezes colérico com que procura alertar as massas para os trágicos danos colaterais provocados pela pandemia.


Há muito que o polémico intelectual francês faz da crítica feroz dos riscos da barbárie uma das principais linhas de ação do seu pensamento. Dos Estados Unidos ao Bangladesh, da Líbia à Ucrânia, Lévy calcorreia o Mundo há décadas para denunciar a escalada totalitária da Humanidade.


Mas nem nas suas previsões mais pessimistas, seguramente, o autor imaginaria que um par de meses bastaria para virar do avesso a ordem mundial estabelecida. O designado novo corona vírus veio, segundo proclama, instaurar uma nova ordem fundada no medo. Grande parte desse sentimento provém da ação muitas vezes destrutiva das redes sociais e de uma corrente dos meios de comunicação social, que se alimentam de um pânico sem razões objetivas.

Afinal, como recorda, a Humanidade viveu já na segunda metade do século XX duas crises sanitárias (as gripes asiáticas de 1958 e 1968) que, embora tenham causado mais de três milhões de mortos, não forçaram a reclusão forçada de grande parte da população mundial, como aconteceu desta vez. A "guerra sanitária global" chegou ao cúmulo de se terem confinado milhões por um único caso suspeito. Por isso, "o mais impressionante é a forma, muito estranha, como estamos a reagir desta vez. E é a a epidemia, não somente da covid, mas do medo, que se abateu sobre o mundo".


Crítico severo dos que insistem em ver na pandemia um sinal punitivo da natureza, Bernard-Henri Lévy expõe a sua inquietude pela forma despudorada como vários líderes políticos, da China, Turquia ou Rússia, têm procurado cercear liberdades ou aniquilar as vozes contrárias. Enquanto todos se ocupam das implicações pandémicas, o massacre de cristãos recrudesce na Nigéria, o Estado Islâmico avança sem resistência em Moçambique e o Irão investe em mísseis de longo alcance. "O planeta continuou - e continua - a girar sem parar", observa o ensaísta com preocupação.

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