Cálua, a jovem 'rapper' que sonha chegar ao topo

Cálua, a jovem 'rapper' que sonha chegar ao topo

É um dos valores emergentes do hip hop português e acaba de lançar "Mundo Livre", o seu primeiro EP. Apenas o primeiro dos muitos sonhos que Cálua tem para cumprir.

A estreia de Cálua em disco só agora aconteceu, com o EP "Mundo Livre", mas a jovem rapper de Vila Verde é tudo menos uma debutante.

Apesar dos parcos 20 anos, a música está presente na sua vida há muito tempo. Ou não tivesse sido um microfone o primeiro desenho que fez. Cresceu a admirar Eminem, Dengaz e Piruka, artistas em que se revê não apenas pelo talento, mas sobretudo pela "entrega e sinceridade que colocam em tudo o que fazem".

Por fazer tudo com grande paixão, lamenta que o mundo da música esteja "cada vez mais superficial". A experiência já acumulada através dos anos permitiu-lhe concluir que "as pessoas dão mais valor a como tu és, do que aquilo que vales".

Essa tendência já chegou, lamenta, ao próprio hip hop. Apesar de ter sido um género que nasceu e cresceu nas franjas do establishment', há cada vez mais uma tentativa generalizada de ir ao encontro do que as pessoas esperam, em detrimento do sentimento real dos artistas. "Quero ter o sucesso, mas não a qualquer custo. Sei que vou chegar lá. É uma questão de tempo", afirma, convicta de que a sua "irreverência e determinação" é muitas vezes "confundida com arrogância".

Há dois anos, ainda enquanto D Cifra, destacou-se no conhecido programa televisivo "The Voice". Chegou às semifinais e, em virtude da exposição mediática, o telefone não parou de tocar durante um mês.

"De seguida, fui trabalhar para o McDonald"s porque precisava de ter dinheiro para pagar o meu álbum. Ouvi muitas bocas de pessoas que não sabem o que é lutar para ter alguma coisa. É preciso fazermos sacrifícios", reforça.

Embora não renegue a participação televisiva, Cálua garante que mudou muito desde essa altura, operando um "renascimento" que passa por "uma nova postura artística", assente "na paciência e determinação".

A "ajuda" do 'bullying'

Nas suas letras encontramos histórias inspiradas nas próprias vivências. Relatos crus e diretos de quem foi vítima de "bullying" desde cedo e encontrou na música a forma de expressão. A jovem de Vila Verde que trabalha no Porto não lamenta o que passou. Pelo contrário: "Agradeço o que passei, porque me ajudou a ser o que sou hoje".

Ainda hoje, Cálua diz não ver nenhuma 'rapper 'que fale abertamente dos problemas das mulheres,

Apesar de reconhecer que Capicua "abriu as portas" a outras mulheres no ramo. "Tento passar a mensagem de que não devemos ser tão homofóbicos nem sexistas. Quero ajudar a abrir mentalidades", sentencia, ao mesmo tempo que confessa que "o povo português é ainda muito fechado".

Mesmo não vivendo ainda da música, a sua entrega é a 100%, garante, como o provam as "mais de 500 horas" passadas no estúdio a gravar o seu primeiro registo, produzido pelo DJ Luís Barros.

O objetivo dos próximos tempos passa por divulgar o seu trabalho. Para alcançá-lo, disponibilizou gratuitamente os temas no Youtube, esperando chegar a um público mais vasto que valorize "um hip hop muito pessoal" mas capaz de criar grande identificação em quem a escuta, ao falar "dos problemas de toda a gente".

ver mais vídeos