Tudo o que nunca quisemos saber

Tudo o que nunca quisemos saber

Uma bem humorada compilação de curiosidades várias assinala o regresso à publicação do consultor literário Paulo Ferreira depois do romance "Onde a vida se perde", A edição é da Objetiva.

Sabia que a afobia é o medo da falta de fobias? Ou que o cientista Edmond Halley não descobriu o cometa a que deu o nome? Ou ainda que um casal de ratazanas pode gerar mais de 15 mil crias ao longo da vida?

Estas curiosidades avulsas são apenas alguns exemplos aleatórios colhidos do livro "Miscelânea de factos essenciais e curiosidades inúteis do Senhor Lubbock". Neste volume, cada leitor é desafiado a tornar-se um especialista instantâneo em todos os assuntos, um pouco à imagem da célebre coleção que, há uma vintena de anos, se orgulhava de conseguir que qualquer um alardeasse conhecimentos superiores aos que efetivamente tinha.

Anti-socráticos por natureza - só sabem que tudo sabem... -, os tudólogos de hoje já não pretendem apenas fazer boa figura nos jantares de amigos. É na comunicação social, mais concretamente nas televisões, que encontramos estes interessantes espécimes, capazes de discorrer com igual propriedade (e sobretudo à-vontade...) sobre tudo e, sobretudo, acerca de nada. Das crises políticas à aridez dos solos, do conflito israelo-árabe à exploração aero-espacial, nada escapa à sua vasta gama (aparente, claro) de conhecimentos.

Na era do digital, a acumulação de informações (úteis, bizarras ou simplesmente idiotas) ganhou foros de ciência. Ou não fosse possível encontrar acerca de qualquer tema, até o mais obscuro, uma parafernália de fóruns, seguidores, boatos e até "memorabilia" adequada.

É para os tudólogos e para os interessados em excentricidades, mas sobretudo para aqueles que estão apenas francamente interessados em aumentar o seu rol de conhecimentos, que se destina este despretensioso mas divertido livro de Paulo Ferreira.

Embora muitas das informações aqui reunidas pertençam ao saber comum (a história de Rómulo e Remo ou a lista dos cognomes dos reis portugueses), há também nas páginas deste almanaque uma plêiade de utilidades que contrariam o título do livro (e deste artigo, já agora). Mas o que torna mesmo recomendável esta "miscelânea" é a escrita espirituosa e bem humorada do seu autor, que torna sugestivas até as passagens contendo informação que já conhecíamos.

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