Aniversário

Espólio da Coimbra Editora vai ficar depositado na Lello

Espólio da Coimbra Editora vai ficar depositado na Lello

Livraria anuncia a aquisição no dia em que completa o 115.º aniversário. Álvaro Siza vai reabilitar edifício vizinho.

A aquisição de um stock de sete mil livros pertencentes às extintas Coimbra Editora e Gráfica de Coimbra é uma das novidades que a Livraria Lello vai anunciar hoje, na sessão comemorativa do 115.o aniversário. A partir das 10.30 horas, o emblemático número 144 da Rua das Carmelitas, no Porto, vai receber várias iniciativas destinadas a celebrar a data, de que se destaca a participação da cantora Marisa Liz, que, além de entoar os tradicionais parabéns, interpretará o tema "Somewhere over the rainbow", celebrizado no filme "O feiticeiro de oz".

Sem as multidões habituais, devido ao delicado período atual, mas "com um grito de esperança próprio de quem quer aliar a segurança com o otimismo", reforça a administradora Aurora Pinto, a Lello vai anunciar a aquisição de um lote significativo de obras, das quais fazem parte títulos da área do Direito ou Ciência Política. Desaparecida em 2020, ano em que completou o centenário, a Coimbra Editora deixou um importante legado em áreas académicas e científicas, além de estar umbilicalmente ligada ao percurso de Miguel Torga.

Este espólio vai ficar depositado no primeiro andar da livraria, num novo espaço expositivo que pretende ser "um resgate de memórias e um esforço contínuo de valorização do livro", reforça a responsável.

Siza e a escadaria

Os preparativos para o aniversário iniciaram-se há quase duas semanas e obrigaram mesmo ao encerramento da livraria. A alteração mais notória é a intervenção feita na escadaria. Durante três meses, o inconfundível tom escarlate será substituído pelo amarelo e cinzento, fruto de uma parceria estabelecida com a empresa americana Pantone, conhecida pelo seu sistema de cores, largamente utilizado na indústria gráfica.

Os tons escolhidos representam a resiliência e a esperança, atributos que adquirem particular simbolismo num período em que as livrarias veem o seu papel histórico mais ameaçado do que nunca.

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Há mais novidades prontas a serem anunciadas na sessão. Como o desafio lançado a Álvaro Siza, e aceite, para reabilitar o edifício contíguo, com o número 148. "A única indicação que lhe demos é a de que seja um espaço intimamente ligado à cultura. Queremos que seja um local de visita obrigatória no Porto", reforça Aurora Pinto.

Em fase de conclusão encontra-se a nova vertente digital da livraria. A aplicação para telemóveis ou tablets e o site serão apresentados em abril.

Quebra de 90% não põe em causa investimentos

A razia no turismo em 2020 afetou de forma particular a Livraria Lello. Com mais de um milhão de visitantes nos anos recentes, a livraria viu esse número encolher em 90%, mas garante que a quebra não põe em causa o plano de investimentos em curso, tendo até reforçado o seu quadro de pessoal. Um dos projetos mais ambiciosos é o do Teatro Sá da Bandeira. Consumada a compra no ano passado, a Lello diz aguardar pelo final do contrato de arrendamento ainda em vigor para anunciar os planos que tem para o histórico anfiteatro. "Tudo o que obtivemos nos últimos anos foi reinvestido na cidade do Porto. Não podemos ficar parados, sobretudo em alturas como esta", assume a administradora Aurora Pinto.

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