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Falta vida pulsante no novo romance de Julian Barnes

Falta vida pulsante no novo romance de Julian Barnes

"Elizabeth Finch", novo romance de Julian Barnes agora editado em Portugal pela Quetzal, peca pela ausência da sua espirituosidade habitual.

Nos seus romances, Julian Barnes habituou os seus leitores a duas marcas que nem sempre caminham a par: uma elegância estilística que, em nome da suposta economia narrativa hoje em voga, se vai tornando cada vez mais rara e, por outro, a certeza de que o conhecimento da História é o melhor antídoto possível contra a intolerância e o fanatismo galopantes.

Com "Elizabeth Finch", o autor de "O papagaio de Flaubert" mantém a primeira premissa em níveis francamente aceitáveis, mas, no afã de demonstrar a importância da preservação de uma visão do Mundo assente na pluralidade e confronto de ideias, fragiliza de forma irremediável aquilo que um romance, por melhores intenções que possa ter, nunca deve perder de vista: ser um objeto ficcional.

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Mais do que a personagem que dá título ao livro, Elizabeth Finch é o eixo em torno do qual toda a história gravita. Professora de Cultura e Civilização numa turma composta por adultos, distinguia-se sem dificuldade dos demais.

A começar pelo manifesto rigor no pensamento que se estendia à sua forma de agir e até apresentar-se em público, opondo-se à ideia de que a História é um processo linear. "Fora do seu tempo em muitos sentidos", era "nobre, autossuficiente, europeia", num sentido cada vez mais caído em desuso.

Quem traça este esboço físico e piscológico de Elizabeth Finch é Neill, um antigo aluno cuja devoção para com a sua mestre roça a idolatria, o que atrapalha o juízo crítico e a consequente humanização da sua figura.

Quando a professora morre, de uma forma tão discreta como aquela em que sempre viveu, Neill é o escolhido para zelar pelos seus manuscritos, o que o deixa, num momento inicial, perplexo.

Se a primeira parte do livro, pelas razões enunciadas, já está algo distante do melhor que Barnes escreveu, é, todavia, na segunda que o livro resvala para uma aridez rara num escritor que sempre fez da evidente espirituosidade uma das suas principais características.

O ensaio biográfico dedicado a Juliano, o último imperador pagão de Roma, pode até ser compreensível à luz do propósito de reforçar a ideia de que as origens do presente se situam sempre no passado. Mas dilui a força narrativa de um romance que parecia fadado para outros voos.

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