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"Fátima" abre a história a crentes e não crentes

"Fátima" abre a história a crentes e não crentes

História sobre o milagre da Cova da Iria volta aos cinemas com um orçamento de seis milhões de euros.

"Fátima" é o filme mais recente do cineasta italiano Marco Pontecorvo, diretor de fotografia em obras como "Guerra dos tronos", "Firewall" e "Cartas para Julieta". Baseado no livro de memórias da Irmã Lúcia, os eventos marianos, com mais de um século, voltam a partir de hoje às salas de cinema.

O drama retrata as seis aparições de Nossa Senhora de Fátima aos pastorinhos Lúcia dos Santos e aos primos Jacinta e Francisco Marto, na Cova da Iria, entre 13 de maio e 13 de outubro de 1917. Eventos que atraíram dezenas de milhares de crentes ao local.

Focando-se na narrativa das crianças e na recusa em recontarem a história, apesar da pressão das autoridades civis e religiosas, "Fátima" traz uma nova visão do impacto que estes eventos tiveram na vida das suas famílias.

A atriz brasileira Sónia Braga interpreta a Irmã Lúcia e o americano Harvey Keitel o professor Nichols, um autor cético que procura a Irmã Lúcia, interpretando, segundo o jornal "Deadline", um "diálogo fascinante que traça a linha entre aqueles que escolhem acreditar e aqueles que põem resistência".

Um filme polémico

Os intérpretes dos três pastorinhos são espanhóis: Stephanie Gil, como Lúcia, Alejandra Howard, como Jacinta, Jorge Lamelas, como Francisco. Uma escolha ditada pela legislação sobre trabalho infantil em Portugal. Lúcia Moniz e Marco d"Almeida encarnam os pais de Lúcia, Joaquim de Almeida compõe o padre Ferreira e Joana Ribeiro aparece como Virgem Maria.

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Com um orçamento de seis milhões de euros, "Fátima" foi cofinanciado pelos Estados Unidos e pelo Brasil.

"Acho que o filme vai ser polémico por dois aspetos: pela história verídica e pela aventura contada a partir dos pontos de vista das crianças, que abrem muitas possibilidades criativas", afirmou a produtora Rose Ganguzza à agência Lusa.

Marco Pontecorvo disse ao site dos Golden Globe Awards que só realizou o filme após ter tido a oportunidade de mudar o guião. "Sempre achei o milagre de Fátima uma história com um enorme poder metafórico. Contudo, a versão que me foi apresentada inicialmente tinha um teor muito religioso. Na minha opinião, não abrangia a magnitude que poderia atingir. Queria abrir a história aos crentes e não crentes. Inserir a dúvida".

O filme, que também aborda o contexto político de Portugal em 1917, motivou uma carta de felicitação do reitor do Santuário de Fátima, Carlos Cabecinhas, afirmando que a obra "mostra como é possível à humanidade acreditar na contínua intervenção divina no mundo contemporâneo em que vivemos".

Coimbra, Fátima, Tomar e Tapada de Mafra foram os locais escolhidos para a rodagem.

"Fátima milagrosa"
Filme mudo de 1928, realizado pelo italiano Rino Lupo, com as futuras estrelas Beatriz Costa e Manuel de Oliveira no elenco.

"O milagre de Fátima"
Obra internacional sobre Fátima, esta realização de 1952 de John Brahm, com produção da Warner, é a primeira a recriar as ocorrências na Cova da Iria.

"Aparição"
Documentário de 1991 baseado nas memórias da Irmã Lúcia, e com entrevistas a testemunhas do milagre.

"O 13.º dia"
Realizado pelos irmãos britânicos Ian e Dominic Higgins, estreou-se no Festival Internacional de Cinema de Cannes... a 13 de maio de 2009.

"Jacinta"
Adaptado do livro homónimo de Manuel Arouca, foca-se no impacto que o mistério teve na pastora Jacinta Marto.

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