Cultura

Festa brava de A Naifa 

Festa brava de A Naifa 

A versão alternativa de "Encosta-te a mim", original de Jorge Palma, foi a banda-sonora das primeiras horas de A Naifa em Braga, cidade escolhida pelo grupo para encerrar a digressão do álbum "Uma inocente inclinação para o mal".  

O ensaio de som, muitas vezes interrompido para as afinações do costume, arrancou depois de uma passagem pelo hotel, onde os quatro músicos iriam passar a noite. Dois deles ficaram a descansar, os outros dois preferiram ou andar pela cidade ou encontrar velhos amigos. Para o final do concerto, no passado sábado, estava programada "uma festa brava". "Ensinar-te-ei meu amor a praticar a caridade". Os graves problemas de saúde de João Aguardela tornaram o ambiente estranho, compreensivo e, algumas vezes, tenso. O baixista, por causa disso, poucas vezes falou, poucas vezes riu e nunca dirigiu a palavra aos elementos estranhos à banda. Ainda assim, o ex-vocalista dos Sitiados iria estar, umas horas depois, em grande no concerto de encerramento. Já na rua, em direcção ao restaurante, a banda passava incógnita aos bracarenses. Só Varatojo, muito por culpa dessa banda marcante do rock português, de seu nome Peste e Sida, merecia um ou outro comentário, sobretudo dos mais novos. O bacalhau dominou o jantar, saboreado com um tinto alentejano, que caiu bem no palato de Mitó. Aliás, a vocalista de A Naifa encarna bem a imagem do grupo: discreta, sóbria, bem disposta, gira. Uma moderna tradicionalista. Com Ferreira Leite e o recente festival da Eurovisão a servirem de aperitivos durante o repasto, foram, sem dúvida, as experiências e as práticas ambientais de outros países que mereceram longas trocas de pontos de vista. De regresso ao Theatro Circo, o cheiro a espectáculo paira no ar. Mitó recolhe ao camarim para se produzir e recordar letras. Com Varatojo, fala-se do passado, do vinil e da imagem da banda: "Só vamos a programas de informação e de música. Recusamos 'talk shows', novelas e outros". Entrada em cena de Paulo Martins. "O" baterista. Altura para se falar de música de outros tempos. Dos tempos da infância. E recordar histórias: a compra de um instrumento com um formato de saxofone, mas que se toca como uma flauta deu luta ao músico. "Demorei algum tempo a perceber como se tocava e foi um amigo de forma casual que lhe tirou o primeiro som". Silêncio. Os cerca de 800 espectadores estão à espera. Uma hora e meia depois, quem tivesse entrado na sala tinha percebido que alguma coisa de especial se tinha passado. O público queria mais. Os músicos mostravam a sua alegria: "A Naifa deve muito a Braga e nós não nos esquecemos disso".

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