O Jogo ao Vivo

DDD - 5ª Edição

Festa no Viaduto

"Viaduto" da dupla brasileira Frankão e Renan Martins, estreia no Auditório Municipal de Gaia no dia 29 de abril.

Há uma força telúrica na comunhão da dança que é indizivel. Essa energia é a que junta há mais de 30 anos os cariocas em festas nos viadutos. "De uma coisa o carioca tem certeza. Sábado é dia de Baile Charme no Dutão, como ficou conhecido o Viaduto Negrão de Lima, em Madureira, zona norte do Rio de Janeiro. A batida envolvente sob o viaduto mistura referências clássicas do soul, rhythm and blues (R&B), jazz e hip-hop, atraindo centenas de pessoas. A festa, que se consolidou como reduto da música negra, sendo referência do género em todo Brasil, completa 30 anos em 2020", escreve um jornal carioca.

Este é apenas um exemplo do ambiente que o coreógrafo Renan Martins pretende recriar com a música de Frankão aka O Gringo Sou Eu, dois artistas brasileiros que residem atualmente no Porto.

No último verão, parte deste casting apresentou na Galeria portuense Nuno Centeno, um projeto intitulado MudAres, uma colaboração entre os coreógrafos e performers: Duarte Valadares, Gustavo Monteiro, Joana Castro, Luísa Saraiva, Marco Da Silva Ferreira, Renan Martins, Thamiris Carvalho, Ana Rocha (os três últimos neste espetáculo). Todos acompanhados com Frankão no live-act.

O coreógrafo Renan Martins tem uma sustentada formação académica. Depois de ter passado pelos estúdios do Centro de Movimento Deborah Colker, no Rio de Janeiro, entrou na SEAD (Salzburg Experimental Academy of Dance), Áustria.  No seu percurso foi também admitido na P.A.R.T.S, em Bruxelas, onde começou a desenvolver o seu próprio trabalho enquanto coreógrafo. Desde 2013 e também membro da companhia belga Damaged Goods de Meg Stuart. Antes destes projetos, conseguiu como bailarino dançar para coreógrafos como Iztok Kovac, Anne Teresa de Keersmaeker, Ceren Oran e Daniel Linehan.

Quando partiu em busca dos intérpretes para "Viaduto" anunciou que desejava "bailarinos com experiência em improvisação e composição instantânea e com noções de danças de rua, danças folclóricas e funk brasileiro". Estas são as linhas coreográficas que o público pode esperar em "Viaduto"

Frankão começou a sua formação no convívio na periferia, numa lógica de 'faça você mesmo', que permite que a criatividade flua sem castrações em encontros de pulsações, de onde emerge uma atmosfera de união orgânica. Nesta comunhão não existe preconceito, quem não sabe dançar encontra sempre alguém para o ensinar.

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O músico lançou no final do ano passado o disco "Sente o peso", muito ritmo e muitas palavras para colocar o dedo na ferida. Antes de viver em Portugal, fez um destacado trabalho sociocultural em 12 favelas do Rio. Em Portugal não perdeu essa vocação, trabalha com bairros sociais, associações e escolas de Sintra, Cascais, Matosinhos, Guimarães e Vila Nova de Famalicão.

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