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Fotojornalista do JN vence prémio internacional

Fotojornalista do JN vence prémio internacional

O trabalho "Despojos de Guerra", do fotojornalista do JN Leonel de Castro, venceu um prémio na categoria série de retratos do Pictures of the Year International, o galardão mais antigo do fotojornalismo. O projeto, que foi capa da revista Notícias Magazine, consistiu em retratar 25 antigos combatentes portugueses que ficaram com deficiências físicas durante a Guerra Colonial.

Leonel de Castro destaca a "resiliência e a superação" dos homens que fotografou. Embora sendo uns mutilados, outros cegos e outros, até, biamputados, "todos eles se viraram e arranjaram emprego, casaram, constituíram família", após regressarem de uma "guerra injusta".

O objetivo do trabalho, diz o fotojornalista, de 47 anos, foi dar a conhecer casos de "superação do ser humano", no contexto de um conflito em que "quem sofreu foi o povo". Até porque, recorda, estes homens foram mobilizados para a guerra numa altura em que a taxa de analfabetismo de Portugal rondava os 70%.

Leonel de Castro recusa falar em orgulho, já que, na sua opinião, "o fotógrafo é apenas um mensageiro". "Não trabalho para ganhar prémios, mas sim para denunciar injustiças". Os antigos combatentes retratados, defende, tiveram poucos ou nenhuns apoios após a guerra.

"O importante é dar a conhecer a história destes homens e a forma positiva como deram a volta à vida deles", afirma o fotojornalista.

O projeto vencedor ainda não está concluído, já que Leonel pretende acrescentar mais cinco retratos de ex-militares aos 25 que já fez. As fotografias premiadas foram tiradas recorrendo ao processo de colódio húmido, uma técnica criada em 1851 e que requer a aplicação de um líquido - colódio - a placas fotográficas de metal ou vidro.

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