Artes Plásticas

Galeria Graça Brandão reabre com uma viagem ao passado

Galeria Graça Brandão reabre com uma viagem ao passado

Exposição "Fénix" está no Bairro Alto, em Lisboa, entre 21 de maio e 31 de julho, com novidades e atualizações semanais.

Uma viagem à arte e às histórias que cada peça conta - do seu artista, do seu tempo e até de nós, a partir do momento em que um quadro, escultura ou serigrafia se cruzam com as nossas vidas. "Fénix" é a exposição pessoal e nostálgica, mas também dinâmica e reveladora, que marca a reabertura da Galeria Graça Brandão, no Bairro Alto, dois anos depois da paragem imposta pela pandemia.

A partir deste sábado (inauguração às 18 horas) e até 31 de julho, José Mário Brandão leva-nos numa jornada pela sua vida, carreira e também pelo tempo - um tempo que, nos últimos dois anos, o galerista sente que parou. Agora, carrega-se no play mas regressa-se em modo balanço com olhos no futuro, ao mergulhar em obras de arte com um ponto comum: todas vencem o tempo e desafiam a atualidade.

"Eu sinto que acordei, autenticamente, de hibernar na pandemia. Mas parece-me que não estive dois anos mas 40, porque o mundo está totalmente diferente. E no fundo estou a tentar enquadrar e colocar novamente os artistas que gosto ou sempre defendi", explica ao JN o também diretor do espaço. E resume: diz que vai, "teimosamente, reabrir a galeria". Teimosamente, esclarece, porque "já devia ter um bocado de juízo. Mas não sou daqueles que acreditam que só a arte vai salvar o mundo. Porém, acredito que a arte e os artistas fazem parte do que pode salvar o mundo, pelo que há que continuar a lutar".

Grande parte da exposição é um mergulho no passado e, admite o galerista, muito pessoal. Praticamente tudo em "Fénix" se relaciona com Mário Brandão, desde os artistas que conhece ou admira há décadas, a outros que se cruzaram com ele quando morava no Porto, ou ainda mais jovens, que sente que merecem um apoio "que muitas vezes não têm". Toda a arte em Portugal é aliás um mercado complexo e, afirma, "muito especial". "Muitas das pessoas que neste momento têm coleções interessantes de arte em Portugal, por exemplo, não são milionárias. São pessoas que gostam de arte, que a encaram de uma maneira diferente."

Na mostra, uma sala leva-nos a paredes de memórias do galerista, únicas, onde se incluem serigrafias pessoais, fotos, cartazes, retratos de vários artistas, cartas ou recados de nomes como Paula Rego. Aqui, uma assumida viagem no tempo, em parte feita com o espólio que tinha há décadas na sua casa no Porto, vendida recentemente. Objetos que correm desde os anos 1960 e que marcaram a sua vida: "Tudo o que está nesta sala tem um significado".

Numa noutra ala juntam-se os trabalhos maiores, não necessariamente antigos mas tendo em comum o facto de "vencerem no tempo", independentemente de os seus artistas terem alcançado um vasto sucesso ou não. É um espaço para eles, os que fazem a arte, falarem. "Tem sido sempre essa a minha função, e a cada ano renova-se esta vontade de fazer mais", diz José Mário Brandão.

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Nascido em Oliveira de Azeméis, o diretor da galeria esteve no Instituto Francês do Porto, no Teatro Experimental do Porto, na Galeria Nasoni, Galeria Atlântica e Galeria Canvas, antes do Bairro Alto. Explica ao JN que pouco na sua vida foi planeado, e muitos dos trabalhos que fez, artistas que conheceu e encontros que teve, foram meros acasos. Com esta exposição, tenta agora "olhar para trás", para "melhor aceitar o que aí vem".

Em "Fénix", o amor à arte é também a tónica e o espírito é aberto, livre e dinâmico: durante três meses, o espaço no Bairro Alto vai divulgar o trabalho de 30 artistas, uns mais conhecidos, outros emergentes: entre eles, Albano Afonso, Albano Silva Pereira, Albuquerque Mendes, Ana Isabel Rodrigues, Carla Filipe, Carlos Schwartz, Claudia Baker, Efrain Almeida, João Maria Gusmão e Pedro Paiva, Joaquim Rodrigo, José Almeida Pereira, Lygia Pape, Mauro Cerqueira, Miguel Soares, Nuno Ramalho, Pedro Tudela, Rui Chafes, Vítor Arruda e Z. L. Darocha. Apenas alguns dos nomes que integram a exposição numa lógica de atualização semanal.

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