26.07.2020

Arte

Street Art em Viseu faz declaração contra o medo

Street Art em Viseu faz declaração contra o medo

Festival de Arte Urbana deixa mais 11 obras de uma dúzia de artistas e coletivos na cidade e freguesias de Viseu. Evento cancelado em maio reergueu-se.

Oito quilómetros de fio de lã e 6000 parafusos depois, eis que a instalação de 5,5 metros de altura e 3,5 de largura vai para uma parede, em frente às piscinas de Farminhão, aldeia a 20 quilómetros de Viseu, com uma casa de renda de bilros. A autora, AHENEAH (Ana Martins) juntou conhecimentos de designer aos ensinamentos das avós sobre bordados.

"A unidade de ponto cruz é igual à unidade digital que usamos para tudo, que é o pixel. Tudo o que faço digitalmente posso fazer em ponto cruz", explica a artista de 23 anos, que constrói uma figura humana, em grande escala, centrada nesta fase de pandemia.

É uma das 11 obras do Street Art de Viseu, que decorreu entre 21 e ontem, na cidade e freguesias periféricas. O festival, cancelado em maio por causa da covid-19, reergueu-se como "uma declaração contra a desistência , uma declaração contra o medo que paralisa a vida e a atividade cultural", justifica Jorge Sobrado, vereador da Cultura.

Ana Seixas, Bordalo II, Draw e Contra, Ergo Bandits, Jorge Charrua, Smile, Mosaik, Nuno Rodrigues, Paulo Medeiros também deixaram obras, algumas a remeter para o confinamento, solidão e não só.

Biodiversidade

"A minha obra representa a biodiversidade desta zona", conta Mosaik, um dos artistas pioneiros do grafíti em Portugal, que dá cor a uma fachada do edifício sede do Instituto Politécnico de Viseu, que comemora 40 anos.

Junto à Escola Básica da Ribeira, num equipamento da EDP, Paulo Medeiros, pintor, saiu da zona de conforto para homenagear João Conde, designer, que morreu no domingo de Páscoa de 2019, ao cair de um muro. "Fui buscar três trabalhos dele e fiz uma composição. Tentamos imortalizá-lo", diz o pintor, com filhos que cresceram com o artista.

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