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Giacometti no topo da montanha e em toda a parte

Giacometti no topo da montanha e em toda a parte

Cinco exposições simultâneas dedicadas ao escultor suíço este verão. Porto exibe mostra até 24 de setembro.

Nenhuma data particular faria adivinhar que cinco grandes instituições na Europa - uma no Porto - dedicariam a sua programação de verão ao escultor suíço Alberto Giacometti (1901-1966).

Mas se é verdade que há uma constelação de artistas, filósofos e pensadores a gravitar em torno da obra deste surrealista que depois se dedicaria à representação da figura humana, e uma legião de investidores e colecionadores que persegue as obras que raramente aparecem no mercado - em junho, a escultura "L"Homme qui Chavire" ("Homem Cambaleante") atingiu o valor de 15,9 milhões de euros num leilão da Christie"s, ainda assim longe do recorde do artista, que ultrapassa os 115 milhões de euros -, a explicação mais prosaica para a simultaneidade de mostras chega pela voz de Sylvie Biancheri, diretora do Fórum Grimaldi, no Mónaco, que tradicionalmente investe todas as fichas numa grande exposição de verão.

"Depois de termos estado oito meses fechados, por causa da pandemia, uma retrospetiva com mais de 200 esculturas de Giacometti, de quem sou fã, é a melhor maneira de aquecer a bilheteira", afirmou, citada pelo diário francês "Le Monde".

A expectativa é legítima. Quando se olha para os resultados de outras instituições que mergulharam a fundo no universo de Giacometti, os números são objetivos: em 2008, o Centro Pompidou, em Paris, seduziu 450 mil visitantes; em 2018, o Guggenheim, em Bilbao, ultrapassou as 330 mil visitas. Sobre Giacometti, o modernista das figuras esguias e andróginas que morreu aos 64 anos, e que este verão parece estar em toda a parte, está ainda muito por descobrir.

Pouco consensual ao longo da vida, amado e depois rejeitado, o escultor fotografado por Cartier-Bresson e endeusado por Jean-Paul Sartre, é hoje visto como o criador puro por excelência. O artista plástico português Rui Chafes - a afinidade entre ambos vem de longe -, que recentemente criou, em sua homenagem, a peça "Occhi Che Non Dormono" ("Olhos Que Não Dormem"), condensa-o numa afirmação de pernas altas: "Giacometti está no topo da montanha".

O fotógrafo e designer gráfico suíço Peter Knapp, curador da exposição da Fundação Maeght, prefere, desta vez, desviar a atenção para as virtudes criativas de outros membros do clã Giacometti, que inclui pintores, um fabricante de móveis e um arquiteto. "Toda a gente conhece o Alberto. Ao expor, pela primeira vez, os cinco artistas da família, espero tornar conhecidos os nomes dos outros quatro."

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No Instituto Giacometti, inaugurado em Paris em 2018, onde coabitam vários trabalhos do fotógrafo Peter Lindbergh, a mostra procura oferecer uma leitura ainda pouco explorada sobre a arte de Giacometti: interpretá-la através do seu fascínio pelo antigo Egito.


Diálogo íntimo entre Giacometti e Peter Lindbergh

Inaugurada em abril, a exposição "Alberto Giacometti - Peter Lindbergh. Capturar o Invisível", patente no Museu da Misericórdia do Porto (MMIPO), reúne pela primeira vez em Portugal fotografias inéditas das obras de Alberto Giacometti realizadas pelo fotógrafo de moda e cineasta alemão Peter Lindbergh, a uma seleção dos trabalhos do artista plástico suíço, entre bronzes e desenhos, todos igualmente selecionados por Lindbergh.

"Esse confronto dá a oportunidade de mostrar o diálogo muito íntimo que ocorreu entre o fotógrafo e as obras do escultor, ao mesmo tempo que revela inúmeras semelhanças nas suas formas de apreender a representação da realidade, embora que com duas expressões artísticas distintas."

Antes de chegar ao Porto, esta exposição só podia ser vista no próprio Instituto Giacometti, em Paris. Está aberta ao público de segunda a domingo, até 24 de setembro.

Mais quatro exposições:

"Alberto Giacometti, uma retrospetiva. O real maravilhoso."
Espaço Ravel, no Grimaldi Forum, no Mónaco.
Até 29 de outubro.

"Alberto Giacometti, a realidade desenhada"
Museu Château La Coste, no sul de França.
Até 12 de setembro

"Giacometti e o Egipto antigo"
Instituto Giacometti, em Paris.
Até 10 de outubro

"Os Giacometti, uma família de criadores"
Fundação Maeght, em Saint Paul de Vence, Alpes Marítimos, Cote D"Azur. Até 14 de novembro.

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