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Gonçalo Delgado vence prémio Estação Imagem 2021 Coimbra

Gonçalo Delgado vence prémio Estação Imagem 2021 Coimbra

Fotojornalista da Global Imagens foi distinguido com um trabalho que confronta a vida, na unidade de obstetrícia, com a morte nos cuidados intensivos, num trabalho publicado no Jornal de Notícias.

O fotojornalista Gonçalo Delgado venceu o prémio Estação Imagem 2021 Coimbra, com um trabalho que põe em confronto a vida e a morte numa unidade hospitalar, durante a pandemia, anunciou este sábado a organização.

O trabalho, intitulado "Regenesis", foi feito num hospital, em que a unidade de obstetrícia e a de cuidados intensivos covid-19 estão separadas apenas por um andar, pondo "em confronto a vida e o espectro da morte, o nascimento e a agonia", referiu a organização do Estação Imagem, que anunciou os premiados da edição deste ano, na antiga igreja do Convento São Francisco, em Coimbra.

Gonçalo Delgado diz que a pandemia de covid-19 foi uma "prova de fogo" para o fotojornalismo. "Tínhamos que documentar o que estava a acontecer em Portugal", afirmou à agência Lusa no final da cerimónia de entrega de prémios.

Sobre a foto, contou que, cinco minutos depois de chegar ao Hospital de Braga, teve acesso a um parto com recurso a cesariana e fotografou-o, para fazer "um paralelismo entre nascimento e a morte, que é separada apenas por um andar".

"Acho que isso traz uma narrativa diferente da desgraça a que estamos habituados com a pandemia. Sempre quis fazer alguma coisa que não fosse apenas a pandemia, mas viver a pandemia a partir dos olhos de uma pessoa que está prestes a dar à luz, que está prestes a criar vida e não a perdê-la, como tem sido constante neste ano", explicou.

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Também fotojornalista do JN, Leonel de Castro conquistou o prémio na categoria Retratos, com um trabalho intitulado "Despojos de Guerra", publicado na Notícias Magazine, sobre antigos combatentes e as cicatrizes psicológicas e físicas provocadas pela Guerra Colonial.

Fotografia do ano atribuída à Galiza

A Fotografia do Ano foi atribuída ao galego Brais Lourenzo Couto, retratando a celebração do 98.º aniversário de uma utente de um lar de idosos fortemente atingido pela pandemia.

Na mesma categoria, o júri da Estação Imagem decidiu ainda dar uma menção honrosa a uma fotografia de Nuno André Ferreira, da agência Lusa, tirada durante um incêndio em Oliveira de Frades, em 2020, e que capta o fogo à distância e, em primeiro plano, um bebé distraído de tudo, dentro de um carro.

Essa mesma fotografia valeu a Nuno André Ferreira o terceiro lugar da World Press Photo na categoria Spot News.

O fotojornalista também conquistou a Bolsa Estação Imagem 2021, para fazer um trabalho sobre as repúblicas de estudantes de Coimbra.

Outras categorias

João Porfírio venceu na categoria Notícias, com a cobertura de manifestações contra o racismo nos Estados Unidos, e Ana Brígida em Assuntos Contemporâneos, num trabalho sobre funcionários de uma junta de freguesia de Lisboa que se vestiram de super heróis enquanto trabalhavam no primeiro confinamento.

Na categoria Vida Quotidiana, o prémio foi para Tiago Fonseca e o trabalho que fez sobre as dificuldades no interior do país a partir da aldeia de Agrações, em Chaves, onde moram apenas 12 pessoas.

O júri da edição deste ano decidiu não atribuir qualquer prémio nas categorias de Artes e Espetáculos, Ambiente e Desporto.

Para além dos vencedores, foram também atribuídas menções honrosas a José Fernandes em Assuntos Contemporâneos, Francisco Romão Pereira em Vida Quotidiana e a Pedro Gomes Almeida e Paulo Nunes dos Santos em Retratos.

A organização notou ainda que, apesar do confinamento, foram submetidos a concurso mais de 300 trabalhos.

O júri foi presidido por Thomas Borberg, antigo editor-chefe de fotografia do Politiken, da Dinamarca, e também jurado do World Press Photo.

Esta é a quarta edição em que o Estação Imagem decorre em Coimbra.

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