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Guta Moura Guedes: "Performance de Portugal vai reforçar a nossa imagem no futuro"

Guta Moura Guedes: "Performance de Portugal vai reforçar a nossa imagem no futuro"

Guta Moura Guedes faz eletrocardiograma à cultura internacional e antecipa ao JN o maior projeto da ExperimentaDesign para os próximos 20 anos

O design não tem a cura para a pandemia mas tem uma chave de reflexão que pode emprestar um contributo para o desenho de soluções naquilo que vier a ser o futuro das indústrias criativas no plano internacional.

E isto só poderá espantar quem nunca ouviu Guta Moura Guedes, presidente da ExperimentaDesign, associação cultural fundada há 22 anos, defender que "o design antecipa o futuro, criando respostas para realidades desconhecidas, por vezes sem disso ter consciência", como agora voltou a reiterar ao JN. "Nem sempre essa resposta resulta de um desafio novo mas de uma inquietação permanente que alimenta o exercício de especulação."

Sem espanto, ao mesmo tempo que é forçada a adiar as exposições, as conferências e os eventos dos programas "Primeira Pedra" e "City Cortex by Amorim", previstos para junho e setembro, em Lisboa, Nova Iorque e Paris, Guta Moura Guedes concentra energias em dois eixos capitais: por um lado, a aposta naquele que será "o maior projeto da Experimenta Design para os próximos 20 anos" - não revela o nome, mas sinaliza a data (será divulgado a 5 de maio) e assegura que contém uma "coincidência" no que diz respeito às questões a que pretende dar resposta -; por outro lado, a dedicação ao "mapeamento internacional da cultura" num projeto que denominou "Não esqueça quem é".

Medir arritmias

No fundo, é fazer um eletrocardiograma à cultura numa altura em que a cultura está em repouso. Em causa, explica, está "a compreensão de como é que o equipamento X da cidade Y reagiu à covid-19". Nesse sentido, está a realizar, via web, uma bateria de entrevistas, mais de três dezenas, um pouco por todo o mundo, para medir essas arritmias.

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Dessa lista fazem parte, por exemplo, Deniz Ova, diretora da Bienal de Design de Istambul, cuja quinta edição também foi atirada para o último trimestre deste ano; Mateo Kries, diretor do Vitra Design Museum de Berlim, considerado um dos mais importantes centros de design da Europa; o arquiteto Stefano Boeri, presidente da Trienal de Milão; ou Zoë Ryan, curadora do Chicago Art Museum.

Os interlocutores portugueses não estão excluídos desta audição. Mas, sobre Portugal, Guta, a Senhora Design, como ficou há muito conhecida, é particularmente otimista. "É inevitável que haja uma grande mudança na fruição coletiva da atividade cultural.

Mas a performance que Portugal tem revelado - e que porventura resulta da conjugação de alguns fatores, como o comportamento das cidades, as medidas políticas e sorte -, vai reforçar a nossa imagem no futuro", prevê. "Vamos reerguer-nos mais depressa e os nossos ativos sairão mais musculados em qualquer área."

Essa perceção poderá ser testada no projeto "Não esqueça quem é", em que a autora, e também entrevistadora, debruça-se sobre o presente (diagnóstico) na mesma proporção em que aborda o futuro (soluções possíveis).

O resultado individual de cada auscultação ficará disponível já no fim deste mês (num meio e formato ainda a anunciar) e o trabalho global será depurado num documentário com estreia agendada para setembro

"Nenhum de nós quer ser responsável pela propagação da doença, mas também nenhum de nós quer contribuir para a paragem. Navegamos à vista, mas precisamos de continuar a inventar."

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