Cinema

Há 18 filmes a competir pelo Urso de Ouro de 2022

Há 18 filmes a competir pelo Urso de Ouro de 2022

François Ozon, Claire Denis, Ulrich Seidl, Rithy Pahn, Denis Côté e Hong Sangsoo entre os candidatos a vencer o prémio maior de Berlim, sem portugueses em competição.

Se nada de ainda mais dramático acontecer nas próximas três semanas, vai mesmo realizar-se presencialmente a edição deste ano da Berlinale, o primeiro dos grandes festivais de cinema do ano. Com início, como previsto, a 10 de fevereiro próximo, o festival terá no entanto uma duração mais reduzida, com a atribuição do Urso de Ouro e dos restantes prémios do júri presidido por M. Night Shyamalan a ter lugar no dia 16. Os restantes quatro dias previstos serão apenas para repetições de fitas para o público local, sem a presença das equipas dos filmes.

O festival decorrerá no entanto sob fortes medidas sanitárias, prevendo-se a obrigação de testes diários mesmo para quem tenha já a dose de reforço da vacina contra a covid-19, em moldes ainda não comunicados aos profissionais que mesmo assim se deslocarão a Berlim. Em contacto com outros jornalistas de vários países que normalmente fazem a cobertura do festival percebe-se que muitos optaram já por não se deslocar este ano à Berlinale.

Outra restrição já anunciada é a redução a 50% da lotação das salas, o que vai tornar esta edição do certame ainda mais sombria, visto que as sessões não exclusivas para a imprensa costumam estar quase sempre esgotadas. Aliás, as bilheteiras localizadas no centro comercial perto do Palácio dos Festivais, na Praça Marlene Dietrich, entretanto fechado para obras, costumava ter pessoas a pernoitar em sacos-camas para serem as primeiras a comprar ingressos pela manhã.

Com a redução dos dias do evento, são também menos as obras a concorrer a um dos prémios mais desejados do mundo do cinema, o Urso de Ouro. Foram divulgados os 18 filmes que se apresentam a concurso, de que se conhecia apenas o título do filme de abertura, "Peter von Kant", de François Ozon, uma homenagem ao germânico Rainer Werner Fassbinder, falecido há 40 anos, com apenas 37 de vida mas uma obra imensa deixada como legado.

Dos restantes títulos, destacam-se as últimas obras de autores consagrados, alguns dos quais veteranos da Berlinale, como "Avec amour et acharnement", da francesa Claire Denis, com Juliette Binoche e Vincent Lindon; "Rimini", do sempre surpreendente austríaco Ulrich Seidl; "Everything will be ok", documentário do veterano cambojano Rithy Pahn; "La ligne", da suíça Ursula Meier; "The novelist's film", do sul-coreano Hong Sangsoo; e "Un été comme ça", do canadiano Denis Cõtê.

A habitual presença alemã na competição está assegurada pelos filmes de Nicolette Krebitz e Andreas Dresen, a que se juntam ainda obras de realizadores de Espanha, Estados Unidos, Itália, Indonésia, México e China. Este ano não há portugueses à procura do Urso de Ouro, o mesmo acontecendo na recente secção competitiva Encounters, criada pela equipa de Carlo Chatrian, diretor artístico da Berlinale, na edição de 2020, dessa vez com a presença de "A metamorfose dos pássaros", de Catarina Vasconcelos.

PUB

Nesta secção, além de alguns cineastas já conhecidos, como os franceses Bertrand Bonello e Arnaud des Pallières ou o britânico Peter Strickland, haverá filmes originários da Áustria, Alemanha, Rússia, Ruanda, Grécia, Japão e Canadá. Haverá ainda uma série de sessões especiais, fora de competição, ocasião para ver as últimas obras do mestre italiano Dario Argento ("Dark glasses"), do indiano Sanjay Leela Bhansali ("Gangubai Kathiawadi"), do francês Quentin Dupieux ("Incroiable mais vrai") e da argentina Lucrecia Martel ("Terminal norte").

Carlo Chatrian apresentou assim o programa deste ano: "Os filmes da 72.ª Berlinale fornecem uma boa descrição do Mundo no seu estado atual, alterado, mas também de como ele era e como deveria ou poderia ser. Confrontados com o desejo de reproduzir o que vivemos (e nós, habitantes do planeta Terra, nunca estivemos tão distantes e, no entanto, tão semelhantes nos nossos estilos de vida), muitos filmes responderam com o poder da imaginação, humor, emoções e confrontos físicos, por vezes apaixonados, por vezes violentos".

O italiano, que já foi responsável pela programação de Locarno, continuou assim: "Mestres e recém-chegados encontram-se no mesmo comprimento de onda, prontos a desafiar a semelhança dominante através de histórias que são surpreendentes pela sua liberdade estilística e pelo desejo de experimentar. Nunca antes tínhamos visto e recebido tantas histórias de amor como este ano: amor louco, improvável, inesperado e intoxicante - que é, afinal de contas, o que são todos os encontros".

O diretor artístico da Berlinale terminou a intervenção num tom veemente: "Os filmes da 72.ª Berlinale são todos concebidos para um coletivo de espectadores que têm o poder de se comover, aplaudir e até mesmo vaiar. Olhamos para este tipo de experiência de festival com a certeza de que, se tivéssemos de desistir, seria melhor fazê-lo num gesto que é um grito de resistência. Nem que seja para nos voltarmos a ligar a ele, mais fortes e resistentes, no próximo ano".

A presença portuguesa em Berlim

O cinema português, com alguma tradição no festival alemão, terá várias obras espalhadas por algumas secções. Assim, no Fórum,veremos a coprodução entre o Brasil e Portugal "Mato seco em chamas", de Adirley Queirós e Joana Pimenta; "Super natural", primeira longa-metragem de Jorge Jácòme; o documentário "Terra que marca", de Raul Domingues; e o último filme de Rita Azevedo Gomes, "O trio em mi bemol".

Nas secções Generation e Generation 14Plus, destinadas a exibir trabalhos com temáticas ligadas à infância e adolescência, estarão o documentário "Águas do Pastaza", filmado por Inês T. Alves na fronteira entre o Peru e o Equador; e "Aos dezasseis", de Carlos Lobo. Pedro Cabeleira estará em competição pelo Urso de Ouro das curtas-metragens com "By Flávio", enquanto no Fórum Expanded será projetada uma coprodução entre a Colômbia e Portugal, "Yarakamena", de Andrés Jurado.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG