Teatro

"Há ir e voltar" conta histórias de quem procura um destino melhor

"Há ir e voltar" conta histórias de quem procura um destino melhor

A questão das migrações é o mote para a nova encenação de Sara Barros Leitão com o Teatro Oficina, em Guimarães. para ver até 9 de outubro

A peça interpretada por Diana Sá, Gisela Matos e Susana Madeira, em 50 minutos, lança um olhar sobre um problema que as gentes do Minho bem conhecem: partir por esse mundo fora em busca de um futuro melhor. O espetáculo está em cena no Teatro Oficina, em Guimarães, até 9 de outubro.

Este fim de semana, há sessões no sábado (19 horas) e no domingo (17 horas). às quintas e sextas, as récitas são às 21.30 horas

PUB

"No princípio esqueces o verbo", até porque há outras formas de comunicar, ouve-se logo no início. É um aviso para a plateia de que este pode ser um espetáculo subversivo, nas formas e nos conteúdos. De seguida, uma das mulheres come, demoradamente, um fruto proibido - uma maçã. Estas mulheres tanto são migrantes desesperadas, como agentes da autoridade implacáveis. Na cacofonia de vozes, por vezes em uníssono, outras alternadas, temos dificuldade em acompanhar quando passam de um ao outro extremo e isso faz parte do efeito dramático.

Embora para muitos portugueses não seja difícil identificar-se com estas mulheres, o trabalho tem ambição universalista. A peça fala sobre todos os que partem, não importa de onde, desde que vão porque onde estão não encontram o que precisam para viver e ser felizes. "Caminhar é aceitar a evidência da queda... porque aqui não há futuro", dizem.

Os migrantes do "salto", do "barco", da "Ryanair" ou do "passador", todos, à partida, têm em comum a falta de futuro. "Há um neofascismo a crescer que não tem qualquer pudor em falar sobre migrantes de bem e migrantes de mal, que cultiva o medo, o medo pelo outro, e em Portugal não podemos esconder que esse movimento cresce e que ouvimos, mesmo recentemente na casa da democracia, discursos contra todas as políticas de migração que Portugal tem, mas distinguindo aquilo que são as migrações portuguesas dos anos 1960 e 1970 como migrações diferentes, quando na verdade tem tudo a mesma base, a procura pela sobrevivência", afirma a encenadora Sara Barros Leitão.

Os bilhetes custam 7,5 euros.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG