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Hillary Clinton: "É imperioso derrubar Trump"

Hillary Clinton: "É imperioso derrubar Trump"

Hillary Clinton esteve na Berlinale para apresentar série biográfica documental

Uma das presenças mais esperadas na Berlinale era a de Hillary Clinton, que veio apresentar à capital alemã a série de televisão de quatro horas sobre o seu percurso, num registo biográfico entrecortado pela realizadora Nanette Burstein com imagens da corrida à presidência de 2016.

Hillary Clinton esteve a falar com a imprensa e a sua primeira nota foi para a qualidade da série. "Fico admirada e impressionada com a forma como a Nanette obteve todo este material e o transformou num filme tão envolvente. Se tivesse de escolher uma palavra seria agradecimento. Tive a vida que tive e vejo-a retratada de uma forma comovente", confessou, admitindo de seguida: "Não disse que não a nada. Os assuntos estavam todos em cima da mesa e podem acreditar que ela perguntou-me tudo sobre tudo."

Encontrando-se no ambiente de um festival de cinema, Hillary Clinton abordou ainda o lado cinéfilo do marido, que acompanha. "Ele escreveu sobre imensos filmes que vimos juntos ao longo dos anos", referiu. "Gostamos de muitos géneros de filmes. É claro que partilho a paixão dele pelos clássicos, em especial o 'Comboio apitou três vezes' ou 'Casablanca'. É possível que os tenhamos visto umas quarenta vezes."

Naturalmente, no entanto, dado o passado político de Hillary Clinton e as eleições presidenciais deste ano, a política norte-americana e a forma como olha para Donald Trump dominaram a conversa. "Ainda estou à espera de ver quem é que vamos nomear e é claro que o vou apoiar. Se há uma coisa que me vão ouvir dizer nos próximos tempos é que imperativo derrubar o atual presidente."

A Secretária de Estado de Barack Obama abordou também as eleições presidenciais de 2016, que perdeu para Trump. "Eu escrevi um livro sobre as eleições, porque não conseguia perceber o que tinha acontecido. Chamei-lhe precisamente 'What happened', recordou. "Eu ganhei os três debates, mas não tiveram a influência que deviam ter. Há uma série de problemas nos debates na nossa vida política. Tem de se colocar perguntas duras e exigir respostas. E isso era difícil de alcançar, com o meu oponente."

Deixando-se empolgar pela recordação do que se passou há quatro anos, Hillary Clinton não poupou o presidente russo. "Eu era muito popular, o meu opositor político sabia que tinha de me abater e fez um bom trabalho. E eu não fiz um bom trabalho de resposta a essa negativa", começou por referir. "Mas tenho de dizer isto, não acho que Vladimir Putin não me tenha compreendido. Ele sabia exatamente quem eu era, e o que estava a fazer para defender a liberdade e a decência e criar uma relação forte entre as democracias ocidentais. Quando deu ordens ao seus serviços de informação para vir contra mim não foi por ter sido enganado ou não me compreender, era porque me queria abater!"

O seu papel na presença de mulheres na vida política norte-americana, ao mais alto nível, não foi esquecido por Hillary Clinton. "Como naquela altura fui a única a chegar àquele ponto, de poder ser presidente, todos os pontos de vista, todos os preconceitos, todas as expectativas, estavam concentradas numa única pessoa", afirmou. "Espero que outras mulheres se candidatem, para que seja mais normal e não se esteja sempre a falar desse síndrome. Fizemos alguns progressos, mas ainda há muito caminho a percorrer."

O paralelismo do estilo de Trump com o de outros dirigentes que venceram eleições posteriormente, como Bolsonaro no Brasil, foi ainda sublinhado pela antiga candidata à Casa Branca. "A campanha que fez e a forma como tem governado encorajou seguramente líderes autoritários, com o seu tipo de política do insulto, pegando em alvos como os emigrantes, as minorias, pessoas de outras religiões, homossexuais. Há líderes a seguir esse modelo em vários pontos do mundo e isso é uma séria ameaça à democracia. Isso preocupa-me muito."

Poucos dias depois da condenação de Harvey Weinstein por crimes de abuso sexual, os apoios financeiros do antigo produtor de Hollywood à candidatura de Hillary Clinton foram recordados na sala. A antiga Primeira Dama respondeu assim: "É verdade que o Harvey Weinstein contribuiu para todas as campanhas dos democratas, como as do Barack Obama ou do Al Gore. Não sei se a condenação vai refrear alguém de contribuir para campanhas políticas, mas vai seguramente contribuir para terminar o tipo de comportamento para o qual foi condenado."

A conversa com Hillary Clinton terminou com uma resposta à questão de saber o que mais tinha aprendido na sua vida pública e privada. "Aceitar a crítica de forma séria mas não a tomar como pessoal", respondeu. "Aprender com os nossos críticos, mas como há tantas agendas associadas ao criticismo, sobretudo na política, não podemos deixar que nos façam desistir. Temos de continuar o nosso percurso. Aprendi isso em criança e serviu-me bastante para a minha vida pública."

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