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Index de Arte e Tecnologia põe Braga a explorar o conceito de "superfície"

Index de Arte e Tecnologia põe Braga a explorar o conceito de "superfície"

Uma camada superficial do planeta, uma zona de extração de minério, uma fronteira ou interface. Afinal, que significados pode ter o conceito de "Superfície"? Através de performances, exposições, conferências e conteúdos educativos, a primeira edição do Index de Arte e Tecnologia, em Braga, vai explorar diferentes caminhos, a partir desta quinta-feira até 22 deste mês.

"Tradicionalmente, tende a haver uma dualidade entre o mundo da arte e a prática artística que coloca a tecnologia no seu centro. Esta oposição leva a que a prática artística que incide sobre tecnologia seja considerada superficial. Quisemos pegar nessa ideia e encontrámos perspetivas muito interessantes sobre o que é que a superficialidade pode querer dizer", explica Luís Fernandes, que assume a curadoria da bienal ao lado de Liliana Coutinho e Mariana Pestana.

Depois de um teste em 2019, o evento arranca, oficialmente, este ano, para 11 dias de partilha, com mais de 30 autorias. Há estreias em Portugal, como é o caso do espetáculo inaugural "Subassemblies", do artista japonês Ryoichi Kurokawa, que sobe ao palco do Theatro Circo, esta quinta-feira à noite, pelas 21.30 horas.

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Luís Fernandes destaca, também, a conferência performativa de Bruno Latour e Frédérique Aït, que vai ocupar o Mosteiro de Tibães, a 21 Maio. "São dois autores importantes dentro do pensamento contemporâneo", justifica, apontando, ainda, a exposição "Demonic Planes", do coletivo britânico Dele Adeyemo, Ibiye Camp e Dámaso Randulfe, como imperdível, pela ligação ao Museu Nogueira da Silva, onde estará patente.

Ao nível de exposições, haverá mais para ver no salão medieval da Reitoria da Universidade do Minho, (Bethany Rigby, Formafantasma e Tiago Patatas), mas também no Museu dos Biscainhos (Carlos Sfeir Vottero), no Gnration (Florian Hecker e Jonathan Saldanha), no Theatro Circo (Calum Bowden e Studio Folder) e até no espaço público. Peter Burr, por exemplo, vai espalhar pela cidade vários dispositivos de sinalética digital.

No programa de conferências há lugar, ainda, para Peter Weibel, diretor do ZKM e figura incontornável da história da media art, Federico Campagna, Michael Marder, Miguel Carvalhais, Virginia Tassinari e Delfina Fantini van Ditmar.

Ao mesmo tempo, a página online do Index, terá conteúdos novos. Será aí que estarão expostos os quatro trabalhos selecionados numa "open call", lançada a nível internacional. Ao todo, foram submetidas 127 propostas de 45 países. "Fomos surpreendidos com quantidade e qualidade geral. Talvez se deva ao facto de ser um evento novo e, também, se explique pelo facto de Braga ser Cidade Criativa da Unesco para as Media Arts. Provavelmente, isso foi um gancho para atrair a atenção", considera Luís Fernandes.

As atividades são gratuitas, à exceção dos espetáculos no Gnration e Theatro Circo, por onde passarão, por exemplo, a Orquestra de Dispositivos Eletrónicos e Matthew Biederman e Pierce Warnecke com o coletivo nacional Supernova Ensemble.

Trata-se de um programa para diferentes públicos, garante o diretor artístico. "A forma como valorizamos a tecnologia na prática artística não é tornando-a um elemento de deslumbre. Às vezes, é uma crítica ao que é a própria tecnologia. As pessoas olharão para este programa como um programa de arte dos nossos dias, que tem diferentes maneiras de se manifestar", sublinha Luís Fernandes, referindo-se, particularmente, à temática da extração de lítio no Norte de Portugal, que terá aqui palco. "A Associação Montalegre com Vida foi um consultor regular", asseverou o curador.

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