Bienal

BoCa arranca em Lisboa, Porto e Braga

BoCa arranca em Lisboa, Porto e Braga

Demonstrar que a arte contemporânea não é "um bicho de sete cabeças" difícil de entender é um dos objetivos da BoCa - Bienal de Artes Contemporâneas que decorre a partir de amanhã e se prolonga até 30 de abril, em Lisboa, Porto e Braga. Com uma programação que cruza áreas artísticas nas três cidades, esta segunda edição da bienal coloca em diálogo as artes visuais, a performance, as artes cénicas e a música.

"Esta é uma edição que vem cristalizar um pouco o conceito da própria BoCa, que consiste precisamente no aproveitamento das sinergias entre cidades, entre territórios artísticos e espaços culturais diversos", salientou ao JN o diretor artístico, John Romão. O responsável reconhece que a bienal "acaba por ter abrangência de grandes públicos especializados", mas que o que se pretende, "é chegar sobretudo ao público não especializado, a quem não domina na perfeição as artes contemporâneas e que acha que na verdade estas são um "bicho de sete cabeças".

Teatros, museus, galerias, discotecas, igrejas e outros espaços culturais e monumentos das três cidades vão receber criações inéditas a nível mundial, ou pela primeira vez apresentadas em Portugal. Para John Romão, um das novidades desta edição é o facto de haver uma terceira cidade convidada, Braga.

"Tudo isto foi possível a partir de um contacto iniciado, ainda em 2017, pela própria Câmara Municipal, que possibilitou que tal acontecesse. Aliás, um dos objetivos da BoCa é precisamente conseguir captar o interesse de uma cidade diferente em cada edição".

A estreia de Braga irá permitir levar um leque vasto e diferenciado de propostas a sete espaços diferentes da cidade. John Romão destaca o facto de, por exemplo, a chamada Casa dos Crivos, vir a ser ocupada por três diferentes artistas ao longo de três semanas que aí irão fazer uma perfomance e deixar uma instalação relacionada com esse trabalho. Outros dos destaques vai para a presença, pela primeira vez na região norte, da dramaturga espanhola Angelica Liddell que irá estrear uma nova peça, "Lo Frío y lo Cruel", na Sala do Capítulo do Mosteiro de Tibães, em Braga, e também para o baterista Gabriel Ferrandini que apresentará a sua primeira criação de palco com texto e encenação, no Teatro Municipal do Porto e no Teatro Nacional D. Maria II.

Outro dos destaques a norte vai para o novo trabalho da coreógrafa e bailarina Marlene Monteiro Freitas, vencedora, em 2018, do Leão de Prata na Bienal de Dança de Veneza, que pela primeira vez vai criar uma instalação artística e a mostrará no Mosteiro São Bento da Vitória, no Porto. E, na mesma região, é de ressaltar o projeto que envolve o escritor Gonçalo M. Tavares & Os Espacialistas que vão criar "um laboratório de forma de sentir acima da média", a partir do tema "Os animais e o Dinheiro", em conferências-performance que terão como palco o Teatro da Trindade, em Lisboa, o Teatro Rivoli, no Porto, e o Theatro Circo, em Braga.

"Queremos continuar a criar uma nova cartografia artística em espaços menos convencionais", ressaltou John Romão. Exemplo disso é o que, a partir de hoje se pode confirmar com a instalação "Spirit House", de Marina Abramovic, que é exibida a partir de hoje nas Carpintarias de São Lázaro, em Lisboa.

A BoCa apresenta ainda, pela primeira vez em Portugal, também a partir de hoje, a vídeo-instalação "Alignigung 2" do coreógrafo William Forstyhe, em três museus de três cidades: o Museu Nacional de Arte Antiga (Lisboa), o Museu Nacional Soares dos Reis (Porto) e o Museu D. Diogo de Sousa (Braga).

Outra criadora da área da dança - Meg Stuart - que também se aventurou nas artes visuais e criou a vídeo-instalação "The only possible city" para a Bienal de Arte Contemporânea Manifesta, será agora recontextualizada na Capela das Albertas, dentro do Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.

Na edição de estreia da BoCa, em 2017, o evento captou a atenção de 77.200 pessoas e para esta edição os organizadores têm uma estimativa de puderem atingir os 100 mil espectadores. O evento tem um orçamento global de 500 mil euros e conta com os apoios pontuais da Direção-Geral das Artes e com contributos da Fundação Calouste Gulbenkian e de outros mecenas.