North Music Festival

A fúria cibernética dos The Prodigy

A fúria cibernética dos The Prodigy

Ingleses varreram a feira na última noite do North Music, festival que se realizou este fim de semana na Alfândega do Porto.

A presença de câmaras de videovigilância e arame farpado no palco onde iriam atuar os The Prodigy, além do reforço de segurança pedido pela banda, poderiam indiciar algum tipo de receio por parte dos britânicos em relação ao público português. Seríamos nós uns selvagens incapazes de nos controlarmos e que às primeiras batidas iriamos invadir o palco para roubar a roupa aos músicos? Nada disso. Logo às primeiras descargas de "Omen", tema do álbum "Invaders must die", de 2009, percebemos que nós é que tínhamos de nos proteger da fúria cibernética do grupo que, nos anos 1990, mergulhou o punk rock no caldeirão da música eletrónica.

Os anos passaram desde o apogeu da banda de Essex, precursora do "big beat", mas a sua energia mantém-se intacta, bem como a capacidade de desferir o velho "murro no estômago". Liderados por dois agitadores, Maxim Reality, rosto pintado e tatuagens tribais, e Keith Flynt, que mantém a dupla crista, o "eyeliner" carregado e a pose de jagunço tresloucado, os The Prodigy sacudiram as 15 mil pessoas que encheram o recinto do North Music.

Os picos de "mosh" e redemoinho foram atingidos com "Firestarter", "Voodoo people" ou "Smack my bitch up". E o stand do JN voltou a estar em destaque. Se, na sexta-feira, os jornalistas foram presenteados com um tema dos Guano Apes, no sábado, os The Prodigy exigiram que fosse apagada a luz do nosso local de trabalho. De alguma forma incomodava o espetáculo de luzes.

Sem ressentimentos, podemos apenas elevar a atuação dos The Prodigy ao primeiro lugar do pódio deste festival, onde estarão acompanhados de perto pelos Gogol Bordello.

Mutantes do futuro

Um pouco antes, a Alfândega acolheu a viagem ao "futuro" dos Mão Morta, que revisitaram as cidades de "Mutantes S.21", álbum lançado em 1992. Num dos intervalos da sua dança de robô avariado, Adolfo Luxúria Canibal disse que, provavelmente, a maior parte das pessoas ali presentes não seria nascida quando o disco foi feito, e portanto, para "modernizar a coisa", iria tocar também alguns temas... ainda mais antigos. "Não queremos nostalgia", disse, "queremos futuro". O rock literário da banda de Braga não ganha ferrugem, só pátina.

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