Dias da Dança - DDD

A insustentável leveza do Norte

A insustentável leveza do Norte

A combinação inédita dos espetáculos "Autodance" e "Skid", da companhia sueca Göteborgs­­Operans Dans­kompani, é um dos momentos mais aguardados da programação do DDD - Festival Dias da Dança 2019. Acontece este sábado à noite no Coliseu do Porto.

Especialmente articulados para a digressão Ibérica da companhia, os espetáculos geram um contraste entre a "leveza" e a "gravidade", nas palavras da diretora artística, Katrin Hall. "Autodance", segunda criação que a coreógrafa israelita Sharon Eyal realiza para os suecos, apresenta em palco bailarinos sem género definido que se movimentam de forma ondulante, num jogo coreográfico que integra a dança, a técnica e o tecno. "É um trabalho muito preciso e detalhado, mas que deixa um grande espaço à interpretação individual - cada bailarino se torna vivo e afirma a sua personalidade", explicou Katrin Hall.

A ligação entre a companhia e a coreógrafa baseia-se na partilha de uma série de princípios comuns, prossegue a diretora: "A Sharon desenvolveu um vocabulário de movimento bastante distintivo - é alguém que empurra as fronteiras da dança contemporânea e que faz o tipo de espetáculos que nos interessa: exigentes do ponto de vista técnico e ambiciosos nas possibilidades que projetam. É uma grande inspiração para nós."

Se "Autodance" explora essa leveza e graciosidade dos corpos, já "Skid" lida com obstáculos ao movimento, colocando os bailarinos num piso com inclinação de cerca de 34 graus. Esse desafio da "gravidade" obriga a um constante movimento de resistência, às vezes perigoso, outras divertido ou comovente. O espetáculo tem assinatura do coreógrafo franco-belga Damien Jalet e teve um êxito tão estrondoso na sua passagem por Paris, com todas as récitas esgotadas, que houve franceses a viajarem de propósito para a Suécia para o poderem ver, contou a diretora do Göteborgs­­Operans Dans­kompani.

Será a estreia no Porto de uma das mais prestigiadas companhias de dança contemporânea europeias, e a mais importante da Escandinávia. A procura por "espetáculos únicos", trabalhados por nomes consagrados ou estrelas emergentes, é a missão desta casa que exige aos intérpretes um altíssimo nível técnico. "Fizemos recentemente uma audição a mais de 200 bailarinos para apenas três posições", ilustrou, a este propósito, Katrin Hall. Contando com 38 intérpretes de 32 nacionalidades, a companhia distingue-se pela qualidade e arrojo das suas propostas cénicas.