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Ao fim de 21 anos Porto ganha Casa do Cinema

Ao fim de 21 anos Porto ganha Casa do Cinema

Já foi a garagem do Conde de Vizela, proprietário remoto da Casa de Serralves, e um edifício multifunções, que tanto servia para depósito como para apoio administrativo. A partir do próximo dia 24, este espaço amplo, situado no limite nascente do Parque, vai albergar a Casa do Cinema Manoel de Oliveira.

Vinte e um anos depois da ideia original (ler cronologia ao lado), é Serralves quem concretiza o projeto, apresentado hoje publicamente, que pretende perpetuar a obra do mais aclamado cineasta português. Mas não só. A divulgação do cinema nacional e de pendor autoral será uma linha de ação contínua, garante ao JN António Preto, o diretor da Casa. "Tudo faremos para que a sua obra e a de outros artistas nacionais não caia no esquecimento. E para que isso aconteça é preciso apresentá-la de um modo que seja acessível aos olhos da contemporaneidade", explica o autor da tese de doutoramento dedicada à obra cinematográfica de Oliveira.

A inauguração terá as presenças já confirmadas do presidente da República, primeiro-ministro e ministra da Cultura, e está a ser ultimada a montagem das exposições iniciais. A primeira delas tem caráter temporal e analisa a importância do conceito de casa nos seus filmes. Uma obra em concreto atravessa toda a mostra: "Visitas, memórias e confissões", um documentário que o realizador filmou em 1982 aquando da saída da sua mítica casa na Rua da Vilarinha, na qual viveu durante mais de 40 anos. Revelado só após a sua morte, conforme as instruções que deixou, o filme foi exibido apenas num par de ocasiões. A ideia do cineasta era fazer desta película uma espécie de testamento - na altura, já tinha 74 anos -, mas seria "traído" pela longevidade. "Não imaginaria decerto que o essencial da sua obra ainda estaria por vir", afiança António Preto.