Cultura

Canal 180 é "boa ideia" mas "uma omeleta sem alguns ovos"

Canal 180 é "boa ideia" mas "uma omeleta sem alguns ovos"

O primeiro canal de televisão português colaborativo e inteiramente dedicado à cultura - o 180 da grelha digital da Zon - arranca, segunda-feira, e para os críticos é "à partida uma boa ideia", mas também "uma omeleta sem alguns ovos".

Apresenta-se como "o primeiro canal português 'open source' e o primeiro canal especializado em cultura e criatividade". Foi pensado numa lógica "low cost", terá seis horas diárias de programação e contará com a colaboração de instituições culturais.

O fundador e director geral da OSTV, João Vasconcelos, disse à Agência Lusa que "mais do que produzir uma grande quantidade de conteúdos", o canal quer "procurar, encontrar e atrair conteúdos, criando um contexto qualitativo interessante".

Haverá diariamente, entre as 20 horas e as 2 horas, videoclips, um magazine cultural e um destaque diário, que pode ser um documentário ou um concerto, por exemplo.

Na página do canal 180 na rede social Facebook, que tem mais de 700 fãs, há pistas e promessas de "outro canal, outro plano, outro objectivo, outro ritmo, outro discurso, outro público, outra abordagem, outra motivação, outra geração, outra atitude, outra experiência, outra história, outra objectiva, outra visão, outra cultura e outra música".

Para os críticos de televisão ouvidos pela Agência Lusa, esta é "à partida uma boa ideia", mas também "uma omeleta sem alguns ovos".

Na opinião de Jorge Mourinha, e embora seja "vago" o que, por agora, se sabe sobre o canal, "é interessante a opção de só emitir num período restrito, o que significa que eles têm consciência de que não se trata de um canal de maiorias": "Parece-me, para já, saudável que tenham a noção das limitações que têm", afirmou.

"O que quero realmente ver é o que é que, em termos de programação nacional, local -- aquela que é relegada para as margens -- , eles vão fazer de novo. Penso que é aí que podem marcar a diferença", acrescentou.

Também para Eduardo Cintra Torres a abertura desta janela é "muito positiva" porque, por um lado, "o projecto será feito por pessoas menos presas a conceitos culturais muito conservadores", e, por outro, "havendo uma tentativa de fazer alguma coisa sem dinheiro, [cria-se espaço para] novos protagonistas no âmbito da televisão cultural. Neste aspecto o espectador só tem a ganhar".

"É uma omeleta sem alguns ovos, mas tem outros. Agora vai depender também da quantidade e da qualidade de ovos que a sociedade civil vai disponibilizar", acrescentou.

Jorge Leitão Ramos também aplaude a ideia, mas considera "um mistério a estrutura 'low cost'": "Quem vai pagar os conteúdos que o canal vai emitir e quais vão ser as contribuições que o canal vai ter?", afirmou.

Além disso, considerou, "outro dos problemas que vão certamente levantar-se é o dos direitos de autor".

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