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Carlos Conceição mostrou "Serpentário" em Berlim

Carlos Conceição mostrou "Serpentário" em Berlim

Arrancou bem a presença lusa no Festival de Berlim. Depois de "A Portuguesa", de Rita Azevedo Gomes, o Fórum da Berlinale mostrou "Serpentário", de Carlos Conceição.

O realizador, que se distinguiu internacionalmente com algumas das suas curtas-metragens, como "Boa Noite Cinderela" ou "Coelho Mau", estreia-se assim no formato de longa-metragem, sem perder no entanto as características principais do que conhecemos já do seu riquíssimo imaginário.

Desde o início do filme que não se esconde a sua função autobiográfica. Carlos Conceição nasceu em Angola e é para esse território que leva a sua personagem, interpretada por João Arrais. E se de início estamos num percurso perfeitamente material, o regresso a uma terra que fica a 10.000 quilómetros em busca da mãe desaparecida, cedo partimos para uma viagem fantástica, entre o passado e o futuro.

Um passado de colonialismo que o realizador ironiza, levando-nos depois às verdadeiras raízes do povo e das terras africanas, e um futuro que discute nos seus fundamentos físicos e filosóficos. "Serpentário", alusão ao décimo-terceiro signo do zodíaco, é um filme entre a terra e o cosmos, uma viagem em busca da mãe-memória, da mãe-terra, do leite e do leito maternal, da origem das coisas.

Cineasta que gosta de jogar com as formas, que não receia experimentar, Carlos Conceição revela-se mais uma vez como uma voz completamente independente e mostra que o cinema português é ainda um dos mais livres que se fazem no Mundo.

Para além de várias outras exibições programadas de "A Portuguesa" e "Serpentário", a presença de filmes portugueses continua já amanhã com "Past Perfect", de Jorge Jácome, em competição pelo Urso de Ouro de curta-metragem.

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