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Cinema português em competição no festival de Locarno

Cinema português em competição no festival de Locarno

Os filmes "3 anos depois", de Marco Amaral, e "Sobre tudo sobre nada", de Dídio Pestana, integram a competição do festival de cinema de Locarno, que decorrerá em agosto, na Suíça, foi hoje anunciado.

Segundo a programação revelada em conferência de imprensa em Berna, "3 anos depois", curta-metragem de Marco Amaral, competirá na secção "Pardi di domani", enquanto a longa-metragem "Sobre tudo sobre nada", primeira obra de Dídio Pestana, foi selecionada para a secção "Signs of Life".

Há ainda duas coproduções portuguesas no festival: "Grbavica", do catalão Manel Raga Raga (Portugal/Bósnia Herzegovina/Espanha) na secção "Pardi di domani", e "Como Fernando Pessoa salvou Portugal" (Portugal/França/ Bélgica), do realizador norte-americano Eugène Green e com elenco português, no programa "Signs of life".

O júri "Pardi di domani", presidido pelo realizador francês Yann Gonzalez, integra também a realizadora portuguesa Marta Mateus e o nepalês Deepak Rauniyar.

Nesta 71.ª edição do festival de Locarno, que decorrerá de 01 a 11 de agosto, o cinema português estará ainda em foco no programa "First Look", no qual serão exibidos entre cinco a sete filmes portugueses em fase de pós-produção, para uma audiência composta apenas por profissionais, entre programadores, exibidores, distribuidores e produtores.

Não foram ainda revelados os projetos selecionados.

Em fevereiro, quando o festival anunciou a escolha de Portugal para este programa, a diretora artística adjunta de Locarno, Nadia Dresti, afirmava que "o cinema português tem sido sempre aclamado pela excelência artística por parte da crítica, mas ao mesmo tempo tem cativado os distribuidores e os principais festivais internacionais".

Numa parceria em conjunto com o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), o programa tem por objetivo garantir a finalização e a internacionalização dos filmes a selecionar.

Este será o último festival sob a direção artística de Carlo Chatrian, convidado para assumir o mesmo cargo no Festival de Cinema de Berlim em 2020, em parceria com Mariette Rissenbeek.

"Este ano a programação incluirá filmes que, em vez de retratarem os conflitos que enfurecem à volta do mundo, se concentram em histórias privadas cuja atualidade ressoa como o eco de uma tempestade", lê-se na nota de imprensa de Carlo Chatrian.

Na secção "Piazza Grande", que inclui 18 filmes a serem exibidos na praça central da cidade, para cerca de oito mil pessoas, serão mostrados, entre outros, "Blackkklansman", de Spike Lee, "Blaze", de Ethan Hawke, e "Le vent tourne", de Bettina Oberli e com Nuno Lopes no elenco.

No mesmo local será ainda exibido, com música ao vivo, "Liberty", filme de 1929 do realizador norte-americano Leo McCarey, este ano homenageado em Locarno com uma longa retrospetiva pelos 120 anos do nascimento.

Outro dos homenageados será o realizador francês Bruno Dumont, que receberá o prémio "Pardo de Honra" e de quem serão exibidos, em estreia internacional, quatro episódios da minissérie televisiva "CoinCoin et les z'inhumains".

Do realizador francês Claude Lanzmann, que morreu na semana passada, será exibido o documentário de nove horas "Shoah", sobre o Holocausto.

O festival abrirá com "Les beaux esprits", de Vianney Lebasque, e encerrará com "I feel good", de Benoît Delépine e Gustave Kervern.

Destaque ainda para a presença dos filmes brasileiros "Temporada", de André Novais Oliveira, e "Sedução da carne", de Júlio Bressane, ambos em competição e em estreia mundial.

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