Berlim

Coprodução francesa, alemã e israelita vence Urso de Ouro

Coprodução francesa, alemã e israelita vence Urso de Ouro

Foi um dos filmes que mais divisões gerou, desde a sua exibição há poucos dias, na Berlinale. Mas o júri, presidido por Juliette Binoche, como já acontecera ontem com o Júri da Crítica Internacional, rendeu-se ao novo filme de Nadav Lapid, "Synonymes", rodado em França, com dinheiro francês, alemão e israelita.

O filme acompanha Yoav, um jovem israelita que chega a Paris com o desejo de se ver livre da sua nacionalidade. Mas acaba por se encontrar num apartamento vazio, completamente nu e sem nenhum dos seus haveres. A língua é outra das suas preocupações e um dicionário de sinónimos passa a acompanhá-lo. Mas há um jovem casal com algumas ideias precisas a seu respeito...

Ao receber o prémio, o realizador assumiu que o filme poderá causar escândalo no seu país de origem, mas também em França, mas afirmou ser uma celebração do cinema, referindo que a raiva e a violência são parente directos de qualquer outro sentimento humano.

Outro dos grandes vencedores da noite foi "So Long, My Son", do chinês Wang Xiaoshuai, que mereceu a rara dupla de Ursos de Ouro para melhor ator e atriz, respectivamente para Wang Jingchun e Yong Mei, que dão vida ao casal que acompanhamos ao longo de três décadas da sua vida.

François Ozon agradeceu a Deus o Urso de Prata correspondente ao Prémio Especial do Júri, para o seu filme "Graças a Deus", que denuncia o abuso de menores na paróquia de Lyon, enquanto o cinema alemão se viu duplamente recompensado, com o Urso de Ouro de Melhor Realização para Angela Schanelec, por "I Was at Home, But", e Prémio Alfred Bauer (que já foi para "Tabu", de Miguel Gomes), que premeia novas perspectivas artísticas, para "System Crasher", de Nora Fingscheidt.

Um dos melhores filmes do festival, já com estreia garantida em Portugal, "La Paranza dei Bambini", recebeu o Urso de Ouro de Melhor Argumento, repartido entre Maurizio Braucci, o realizador Claudio Giovannesi e Roberto Saviano, o autor de "Gomorra", e em cujo novo livro o filme se baseia.

O palmarés ficou completo com o Prémio de Melhor Primeiro Filme para "Oray", de Mehmet Akif Buyukatalay, de Melhor Documentário para "Talking About Trees", de Suhaib Gasmelbari e de Melhor Curta-Metragem para "Umbra", de Florian Fischer e Johannes Krell, que ficaram com o prémio a que concorria a curta portuguesa "Past Perfect", de Jorge Jácome.

Fica encontro marcado para o próximo ano, já com novo director artístico, o italiano ex-Locarno, Carlo Chatrian. Esperam-se mudanças significativas na filosofia do festival, atendendo ao inesperado avanço de duas semanas nas suas data de 2020. A 70ª edição da Berlinale realiza-se de 20 de fevereiro a 1 de março.