Concerto

D.A.M.A. passam pelo Meo Arena com distinção

D.A.M.A. passam pelo Meo Arena com distinção

A banda formada nos bancos de escola do Colégio São João de Brito, em Lisboa, estreou-se esta sexta-feira no Meo Arena, passando com distinção - e casa cheia - por uma das maiores salas de espetáculos do país. Gabriel, o Pensador, Diogo Piçarra e Sebastião Antunes juntaram-se ao momento de consagração de um dos maiores fenómenos da pop nacional.

Ainda o concerto não tinha começado e já se ouviam refrães de algumas das canções mais populares dos D.A.M.A. a ecoar pelo Meo Arena, enquanto famílias e grupos de pré-adolescentes (com um adulto a reboque) escolhiam o melhor lugar para assistir ao concerto.

Pedro Estrela, 49 anos e melómano declarado, foi ver os D.A.M.A. pela terceira vez com as duas filhas, Mariana, de 11 anos, e Eva, de sete. "Sei todas as canções de cor", garante Mariana, acrescentando que o pai também tenta memorizá-las para cantar nas viagens de carro, em que os D.A.M.A. são passageiros frequentes. Aqui todos gostam das canções do trio, que entrou em palco pouco faltava para as 22 horas. No ecrã surgiu um relógio em contagem decrescente e, à medida que se aproximava o tão aguardado momento, o burburinho ambiente deu lugar a gritos mais sonoros de excitação.

A banda de Miguel Cristovinho, Miguel Coimbra e Francisco Pereira (Kasha) arrancou com "Sinto" e seguiu com "Calma" para "Agora é tarde", recebida com uma ovação de reconhecimento aos primeiros acordes. "Obrigado por terem vindo nesta noite tão especial para nós", atiraram. O sucesso de "Agora é tarde", do último disco da banda, "Dá-me um segundo" (editado em 2015 e reeditado esta sexta-feira), fez erguer telemóveis e braços no ar, num dos muitos coros com que o público brindaria a banda ao longo de cerca de duas horas de um espetáculo pensado ao pormenor. A qualidade do som, que chegava demasiado abafado e distorcido a algumas zonas do recinto, parece ter sido o único senão.

"Há mais de 19 anos, uma música praticamente mudou a nossa vida e foi escrita por um grande compositor português". Estava feita a apresentação de Sebastião Antunes, autor de "Balada do desajeitado", canção que a banda interpreta no disco de estreia. Sozinho em palco, o músico e compositor começou a desfiar "Eu não sei o que é que te hei de dar", acompanhado em coro pela jovem plateia entusiasta e ladeado pelas vozes do trio perto do final.

O segundo convidado da noite acompanhou a banda num momento intimista, luzes baixas e atenções centradas num pequeno palco erguido no meio da plateia. Miguel Cristovinho e Diogo Piçarra, ao piano, deram voz a "Por quem não esqueci", um clássico da música portuguesa imortalizado pelos Sétima Legião. Um interlúdio de "Tu e eu" de Diogo Piçarra abriu caminho a "Mentira" e ao êxito maior "Não dá", recebido com um clarão que se foi avolumando. Os cartazes - cuidadosamente desenhados com letra miúda a canetas de feltro coloridas e purpurinas - voltaram a baloiçar no ar, mais um gesto de devoção à banda, que se desdobrou em agradecimentos a todos os que contribuíram para a rápida ascensão que os fez passar dos palcos de bares e discotecas para uma das maiores salas de espetáculos do país. E provaram que merecem lá estar.

Depois de ter marcado presença no concerto dos D.A.M.A. no Rock in Rio, em maio, Gabriel, o Pensador chegou para fumar o "Cachimbo da paz", improvisar umas rimas espirituosas e mostrar toda a cumplicidade que tem com os novos "meninos bonitos" da pop nacional. "Não faço questão", o tema que os une, foi eleito para a despedida, levando a plateia ao rubro antes da explosão de confettis que fazia antever o fim de festa. Os D.A.M.A. ainda regressaram para um encore onde apontaram ao futuro com "Era eu", música de deverá integrar o terceiro disco de estúdio.

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