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De Tiago Miranda a Conan Osiris, o trajeto que fez um fenómeno

De Tiago Miranda a Conan Osiris, o trajeto que fez um fenómeno

Canta, compõe, mistura estilos e dança como se fosse de outro planeta. Sem esquecer as letras, claro. De estrela indie no Paredes de Coura do último verão, Tiago Miranda (nome de batismo de Conan Osiris) passou a ser um dos assuntos mais falados em Portugal e poucos lhe ficam indiferentes.

Uns adoram, outros detestam, mas quase todos têm opinião sobre a mescla de estilos que se podem encontrar nas músicas do "rapaz de Lisboa" que nasceu no Cacém, Sintra. "Génio inovador", dizem os apaixonados. "Música ridícula", dizem os críticos.

Diferente de Variações

Ele canta Amália - ouça-se a música de Conan com o nome da rainha do Fado e compare-se com "Telemóveis" - mas parece o Variações. Não no estilo de música, mas no percurso. Ambos se mudaram cedo para Lisboa, rasgaram ditames musicais das suas épocas e têm Amália como uma das principais referências.

Sobre a comparação, Osiris realça as diferenças: "O António Variações não fazia os álbuns dele completamente sozinho, não compunha, não escrevia música. Eu faço isso tudo, então vamos diferenciar". A nível pessoal, Tiago Miranda cresceu no Cacém, mudou-se para Lisboa e estudou em Castelo Branco. Trabalhou numa "sex shop" até há pouco mais de um ano, quando deixou de ter tempo para conciliar com os espetáculos.

Aprendeu a fazer música sozinho em casa e lançou três álbuns que partilhou gratuitamente nas redes sociais. Ao terceiro, "Adoro Bolos", ficou famoso e entrou no circuito nacional da música alternativa. Deu dezenas de concertos e angariou milhares de fãs até chegar, aos 30 anos, ao Festival da Canção.

O fenómeno popular e o primeiro lugar na votação do público deixaram-no "muito surpreendido", revelou o músico, ao JN, depois da primeira semifinal. Entre solicitações e outros afazeres teve pouco tempo para sair à rua, mas no Instagram sente o carinho do público. É um movimento que, como o próprio diz, faz da frase "ok posso ser maluco, mas não estou sozinho" um desabafo. E saber que o obreiro desse abrigo coletivo de bons doidos é o próprio Conan deixa-o radiante: "É tudo o que eu poderia sonhar para além da música".

Apoio lá fora

Mas o apoio a "Telemóveis" não está só cá dentro. Além-fronteiras, os youtubers e bloggers exclusivos de assuntos relacionados com a Eurovisão são unânimes: Conan Osiris pode vencer em Israel. "Isto é bom! Adoro mesmo a música, faz-me querer ouvir mais", resumiu Alesia Michele, uma das principais bloggers da Eurovisão.

Matt Friedrichs, youtuber do "Eurovision Younited", classifica o tema de "fascinante e hipnotizante", ao passo que a conhecida "drag queen" Maxxy Rainbow considera a música de Conan "negra, misteriosa, envolvente, única e de outro Mundo" pelo que "seria uma incrível escolha". O portal Jen"s place, também especializado em assuntos da Eurovisão, não tem dúvidas: "É um tema emocional que pode ir muito longe na Eurovisão".

O que é que tem, então, Conan Osiris? Para além da máscara com um significado secreto - que gerou um saudável momento de humor com António Raminhos no Instagram - Conan Osiris distingue-se pelo estilo controverso na música, na roupa e na performance. A aparente dislexia com que o bailarino João Reis Moreira acompanha a multicultural composição de Conan Osiris conjuga-se de forma perfeita com a voz do lisboeta, de estilo cigano que "sai de forma natural", diz o próprio, que não tem quaisquer raízes naquela etnia.