Estreia

Documentário "Tudo é Paisagem" estreia em Serralves

Documentário "Tudo é Paisagem" estreia em Serralves

Encantamo-nos com jardins como os de Serralves, mas quantas vezes nos perguntámos quem os concebeu? Integrando a obra numa espécie de "ordem natural" das coisas, a arquitetura paisagista fica muitas vezes à sombra da matéria que privilegia: a paisagem.

Duarte Natário quis abrir uma clareira sobre o assunto e o resultado passa esta quinta-feira à noite em Serralves. Com o documentário "Tudo é Paisagem", o arquiteto paisagista de 31 anos, nascido no Porto, quis divulgar a área profissional em que se move e fazer "um registo", que é o primeiro neste formato, "da história da arquitetura paisagista em Portugal".

Uma história com cerca de 70 anos que encontra em Francisco Caldeira Cabral a sua figura tutelar. Foi ele quem criou o primeiro curso desta área em Portugal, em 1941, e foi também ele quem deu, ainda antes disso, "uma primeira lição de arquitetura paisagista em Portugal" com o projeto do Estádio do Jamor.

Por sua intervenção, o estádio acabou por ser construído na encosta do vale, sem comprometer a ribeira, numa solução "mais à grega, integrado na paisagem", aplicando princípios ecológicos que eram novidade para a época, explica Duarte Natário ao JN.

O realizador aborda no filme outras obras como o Expo"98, os jardins de Serralves e da sede da Fundação Gulbenkian, em Lisboa, a praça da Ribeira das Naus e parques como o da Cidade do Porto, projetado pelo arquiteto paisagista Sidónio Pardal, outro bom exemplo, na opinião de Duarte Natário: "Muitas pessoas pensam que o parque da Cidade já lá estava, era um espaço natural onde foram feitos caminhos e pronto. Não é verdade! Tudo aquilo foi pensado e projetado numa tentativa de imitar a natureza e essa tentativa de provocar uma sensação natural está tão bem conseguida que, no fundo, nem nos apercebemos que o espaço foi criado", resume.

O arquiteto paisagista, formado na Universidade do Porto, apoiou-se ainda em 25 entrevistas a arquitetos paisagistas, arquitetos e historiadores para retratar a evolução da área em Portugal, num filme que duração aproximada de uma hora.

A sessão desta quinta-feira está marcada para as 21h30 e será precedida por uma conversa para a qual contribuem, além do realizador do filme, o geógrafo Álvaro Domingues, o arquiteto Nuno Grande e o arquiteto paisagista Paulo Farinha Marques. Teresa Andresen modera o debate.

Depois do Porto, "Tudo é Paisagem" volta a passar em Lisboa, onde estreou há um mês, para integrar a programação do Arquiteturas Film Festival. Segue depois para Braga, Guimarães e Madeira.

Para o futuro, fica a vontade de dar continuidade ao projeto que contou com o apoio da Associação Portuguesa dos Arquitetos Paisagistas: "Acabou por ser mais curto do que eu esperava. Temos pensado eventualmente fazer uma série de episódios sobre a arquitetura paisagista e dar mais tempo para falar sobre outros temas e sobre​​​​​​ outros projetos", concluiu.

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