Museu do Chiado

Exposição de Amadeo de Souza-Cardoso chega a Lisboa em janeiro

Exposição de Amadeo de Souza-Cardoso chega a Lisboa em janeiro

A exposição dedicada a Amadeo de Souza-Cardoso que evoca a apresentação das suas obras no Porto e em Lisboa há um século, gerando escândalo e debate, abre ao público a 12 de janeiro no Museu do Chiado.

A mostra "Amadeo de Souza-Cardoso/Porto Lisboa/2016-1916", que se encontra atualmente no Museu Soares dos Reis, no Porto, até dia 1 de janeiro, seguirá depois para Lisboa, para o Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, em Lisboa.

Os dois museus evocam, desta forma, as exposições realizadas por Amadeo há cem anos, e que provocaram grande polémica, pela incompreensão da época relativamente às estéticas de vanguarda.

Com curadoria de Marta Soares e Raquel Henriques da Silva, a exposição vai mostrar cerca de 80 obras das 114 peças expostas há 100 anos.

No Porto, a exposição suscitou grande interesse no público, tendo recebido 7.500 visitantes nos primeiros dez 10 dias de abertura, segundo números da Direção-Geral do Património Cultural.

A apresentação destas obras no Porto e em Lisboa evoca o contexto da vida de Amadeo de Souza-Cardoso, que regressou a Portugal no início da Primeira Guerra Mundial, como um pintor reconhecido nos meios da vanguarda, tendo participado em exposições coletivas em Paris, Berlim, Nova Iorque, Chicago, Boston e Londres.

De acordo com um texto das comissárias, a realização dessas exposições em Portugal, no final de 1916, "inserem-se nessa determinação de afirmação da carreira". A primeira decorreu no Porto, no Jardim Passos Manuel, de 1 a 12 de novembro, e a segunda, em Lisboa, na Liga Naval Portuguesa, de 4 a 18 de dezembro.

Há um lado caricato que as comissárias já recordaram no Museu Soares dos Reis, no Porto, pelos relatos da incompreensão por parte do público, que chegou a cuspir-lhe nos quadros. Mas, ao mesmo tempo, as obras suscitaram um debate sobre a arte contemporânea.

"O que se viu há cem anos e o que vemos hoje nas obras expostas? Como eram os espaços onde Amadeo expôs? Qual o papel de Amadeo enquanto comissário de si próprio? O que poderá ter motivado as reações mais violentas? O que se escreveu na imprensa? Que discussões houve em torno da pintura de vanguarda? Estas são algumas das questões fundamentais desta exposição", de acordo com Marta Soares e Raquel Henriques da Silva.

"Amadeo de Souza-Cardoso/Porto Lisboa/2016-1916" vai ficar patente ao público no Museu do Chiado até 26 de fevereiro.