Super Rock

Fãs de Lana já estão colados ao palco para esperar oito horas

Fãs de Lana já estão colados ao palco para esperar oito horas

Esbaforido, a correr como um galgo e a segurar o boné, metido na sua t-shirt branca muito ruçada da tournée de Lana del Rey 2014, Peter Gomm é, pode dizer-se abertamente, super-hiper-mega fã da cantora americana.

"Já vi 50 concertos dela, o de hoje à noite vai ser o 51.º", diz ele ao JN de olhos a brilhar, a suar em bica mas sem se importar.

Peter, que tem 48 anos e é londrino já está colado às grades do palco maior do 25.º Super Bock Super Rock, festival que hoje abriu portas pouco passava das 15 horas, com uma batelada de gente aglomerada desde manhã cedo, alguns desde as 9 horas da manhã, que de repente desata a correr pelo recinto fora.

O recinto está diferente desde a última edição aqui no Meco, Sesimbra, em 2014: agora decorre tudo num vale aberto e plano, sem sombras naturais - e estão a esta hora do meio da tarde 30 graus -, num recinto de forma quadrangular em que os quatro palcos ficam nas bordas e as tendas das comidas e bebidas se espalham pelo meio debaixo de alguma relva e muito capim.

"Não vim a correr", diz o Peter, "vim a trote" e depois ele ri-se a dizer que trabalha para um jornal chamado "Horse Racing Post". Mas "não vim escrever sobre cavalos, estou aqui em lazer", continua o homem que só veio mesmo-mesmo ver a Lana. "Não quero saber dos outros concertos, vou ficar aqui mesmo, à espera dela e no fim vou logo embora porque amanhã ela toca em Benicassim, é em Espanha, fica a 900 kms daqui, já vi, vou demorar nove horas de carro, estou lá antes do almoço de amanhã". Peter anda nisto de perseguir a bela Lana desde 2011. Ele continua a suar debaixo do boné branco. "Sim, podemos dizer que sou tarado por ela, gosto muito, não sei dizer exatamente porquê, mas é a minha diva, não há outra na minha vida", e ele tira o boné, sacode-o e respingam as gotas de suor.

"Ele há malucos para tudo"

A "Lanatite" não é uma doença que vem com a idade porque a maioria das centenas de pessoas que estão aqui coladas ao gradeamento em frente ao palco tem 20 anos ou menos, como o grupo de sete amigos de Lisboa e Alverca onde estão a Márcia Gomes, o André Gomes e o Luís Leitão. "Ufa!, nunca pensei que conseguíssemos chegar às grades, estamos bem", diz o Leitão virado para todos e para ninguém a revelar que é de entre eles o maior fã. "Já a ouço há bué de tempo, é a banda sonora da minha adolescência", explica o Leitão que veste uma t-shirt preta dos The Faded e tem enterrado um boné do Chelsea.

A Márcia, 21 anos, a estudar contabilidade, é um beija-flor de cabelo loiro muito fino, vestido floral amarelo e a tatuagem de uma faca na coxa direita. "Comecei a ouvi-la quando tinha 13 anos. Foi um prof de história que mostrou a música dela numa aula, era o "Video games", senti assim uma coisa no coração, adoro-a, adoro-a. "Era uma aula sobre a América e o prof estava a dar exemplos de pessoas que se dão ao seu país, foi por isso que ele meteu a Lana", deslinda a Márcia que está a pôr um chapéu preto à cowboy, ou no caso cowgirl, da EDP - o patrocinador está a lançar chapéus pelo ar porque estão todos a torrar ao sol - que lhe passou o André. Diz ainda ela dela própria: "Pois, há malucos para tudo, eu ainda tenho idade para ter pachorra para isto", diz ela a sorrir e a rodar as ancas e o vestido florente.

"Isto é que está uma tosta, hã?", diz o André que já traz chapéu de abas largas posto, a apertar o fio vermelho debaixo do pescoço, a limpar umas gotículas da sudação. "Gosto do recinto, gosto", diz ele a lançar um olhar panorâmico de 360 graus, "parece-me agradável, este calor é que vai ser o diabo, vai sim senhor, mas estamos no verão, não é? Ah, vai ser um belo festival", e o André, que está a estudar programação em Lisboa, e os outros amigos destacam a cantar a primeira estrofe do "Born to die", supostamente a Prim eira canção que Lana Del Rey vai tocar aqui. A letra, que parece muito apropriada à condição deles todos agora aqui, diz assim: "Feet, don"t fail me now/Take me to the finish line/ Oh, my heart, it breaks every step that I take/But I"m hoping at the gates, they"ll tell me that you"re mine".