Música

Há cada vez mais pessoas nos festivais de verão

Há cada vez mais pessoas nos festivais de verão

Portugal tem o maior número de sempre neste verão: 272. Há 2,5 milhões de pessoas que vão todos os anos e o preço dos bilhetes tende a aumentar.

Desengane-se quem acha que os festivais de verão têm tendência a esmorecer. Em 2017, realizou-se um número recorde de eventos focados na música: 272 no continente e ilhas; o aumento é de 9,2 % relativamente a 2016, em que se registaram 249, revelou o estudo mais recente da Associação Portuguesa de Festivais de Música (Aporfest).

No mapa da distribuição de eventos, verifica-se que a Região de Lisboa concentra o maior número de festivais (30), seguindo-se Porto (9), Braga e Funchal, ambos com seis. Todos os distritos acolheram festivais, mas é notória a preferência pelo litoral. Ao todo, foram mais de 2,5 milhões de espectadores a frequentar estes certames em 2017, o que equivale a ¼ da população residente em Portugal.

O aumento poderá ser explicado pelo maior apoio dado pelos municípios (em 2017 houve eleições autárquicas), e pelo maior financiamento do Turismo de Portugal e do Ministério do Ambiente. Em contrapartida, houve uma retração de mecenas e investimento privado, diz a Aporfest.

Os festivais continuam a dar provas de vitalidade em 2018, considerando a velocidade a que são vendidos os bilhetes. Um dos maiores é o Nos Alive, não só pela ambição do cartaz, como pelo número de espectadores (165 mil em 2017). E, apesar de ter aumentado o preço dos bilhetes e ser dos mais caros (um dia 65; três dias 149), já esgotou os passes gerais e o bilhete para 14 de julho, dia dos Pearl Jam.

Esgotar cada vez mais cedo

Indício de que o fenómeno continuará a crescer, segundo Álvaro Covões, diretor do Nos Alive: "Em 2016, os bilhetes esgotaram um dia antes do festival; em 2017, já não havia bilhetes três meses antes; este ano, esgotamos em dezembro os bilhetes do dia 14". "É a tendência internacional", diz Covões, "quando se trata dos festivais credíveis, as pessoas já nem esperam pelo anúncio do cartaz, compram os bilhetes no escuro".

A grande antecedência com que os portugueses passaram a comprar os bilhetes fez inclusive diminuir as vendas no estrangeiro. "Atualmente, os portugueses compram primeiro", diz Covões. "Em 2016, vendemos 30 mil bilhetes a estrangeiros e, em 2017, esse número baixou para 22 mil".

Melhor ano de sempre em Coura

Também João Carvalho, diretor do Vodafone Paredes de Coura, assinala essa antecipação. "Vou dizer o mesmo: este ano está a ser o melhor de sempre, temos 25% de bilhetes já vendidos". Ou pela notoriedade dos festivais, ou porque os nomes fortes são anunciados cada vez mais cedo, Carvalho identifica o Natal como data-chave para se compreender o volume de compras antecipadas. "Os bilhetes são uma excelente prenda".

O cúmulo da antecipação foi a venda de cinco mil bilhetes para o Primavera Sound 2018 apenas alguns dias após ter fechado o festival de 2017. José Barreiro, diretor do Primavera, distingue o "público base, que compra sem conhecer o cartaz, do público reativo, que espera pelo anúncio dos nomes". Também aqui, a expectativa é de novos recordes em 2018.

Nos Alive e Rock in Rio são os mais rápidos a captar bandas

A corrida para os festivais de verão tem início cada vez mais cedo, com os promotores a competirem pelo cartaz mais recheado. Alguns vão anunciando as suas propostas a conta-gotas, como o Nos Alive, que aposta nessa estratégia de comunicação permanente, outros preferem apresentar o cartaz já fechado, todo de uma vez, como o Nos Primavera Sound Porto, que revela o cardápio na próxima semana.

Os concorrentes mais velozes, em 2018, são, até agora, o Nos Alive e o Rock in Rio Lisboa, que volta a realizar-se este ano, entre 23 e 30 de junho, no Parque da Bela Vista. O "colosso de Algés", o segundo festival com mais público em 2017 (165 mil pessoas em três dias), apenas superado pelo Meo Sudoeste (200 mil em cinco dias), não perdeu tempo a assegurar nomes garrafais como Arctic Monkeys (12 de julho), Queens of the Stone Age (13 de julho) ou Pearl Jam (14 de julho), contando com o cartaz mais forte até ao momento.Logo atrás, segue o Rock in Rio, que já garantiu Muse, Bruno Mars (campeão dos Grammy este ano) e Chemical Brothers. Com algumas curvas de atraso, vai acelerando o Super Bock Super Rock, com o motor movido a Justice e The XX (19 de julho, Parque das Nações, Lisboa), Paredes de Coura, que usa combustível Bjork, Skepta e Fleet Foxes (15 a 18 de agosto) e o Meo Marés Vivas, que vive da injeção de Rita Ora, Kodaline e Jamiroquai (20 a 22 de julho, Gaia). Com menos cilindrada, mas dentro da corrida, segue o renovado EDP Vilar de Mouros, que, até agora, conta com Human League e Los Lobos (23 a 25 de agosto).

Mas nem tudo acontece na pista principal. Há competições segmentadas nas quais também correm importantes bólides. O EDP Cool Jazz lança a potência de David Byrne, Gregory Porter e Van Morrison (11 a 28 de julho, Cascais); o FMM Sines utiliza a energia verde e multicultural de Antibalas, Baba Zula e Kimmo Pohjonen (19 a 28 de julho); e o Neopop recorre a pilotos que garantem festa mesmo que fiquem em último (9 a 11 de agosto, Viana).

Numa competição absolutamente à parte, e com a estrada por sua conta, vai nas calmas o Boom Festival, que regressa a Idanha-a-Nova, de 22 a 29 de julho, e não precisou de anunciar qualquer nome para já estar esgotado.

Além de dar nome a um festival, a Super Bock é a marca com maior presença nos festivais. A ligação existe há 25 anos e justifica-se, diz Maria Estarreja, diretora de marketing da Unicer, "porque a música é um território que move multidões, o que permite criar relações de proximidade entre marca e público". O seu balanço é "extremamente positivo", considerando os festivais uma "plataforma de excelência". Isto explica a existência de 21 festivais que levam o nome do patrocinador.

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