NOS Alive

Greta Van Fleet foi um tufão de hard rock que nos levou aos anos 70

Greta Van Fleet foi um tufão de hard rock que nos levou aos anos 70

Pouco importa que se pareçam com Led Zeppelin. Esta é a história de Greta Van Fleet, conjunto hard rock que siderou o NOS Alive no arranque da segunda noite do festival de Oeiras. Deles e da senhora Gretna que não sabia cortar a lenha.

Os olhos estanques dos distraídos viram-se logo para o palco NOS ao primeiro grito de Josh Kiszka. O vocalista, um dos três irmãos da fila da frente em cima do palco, é dono de agudos metaleiros capazes de fazer inveja a qualquer cantor de qualquer coisa, tal é a segurança, extensão e afinação que esgrime ao chegar às oitavas mais difíceis.

Não lhe conhecemos a extensão vocal, é certo, porque aquela voz passou uma hora e meia de concerto sem pisar terrenos graves, mas é a mais icónica que passou pelo NOS Alive, pelo menos até agora, e digna de saudações infinitas. De volta à parte dos irmãos, são três, no quarteto Greta Van Fleet. Dois deles são gémeos, Josh e Jake (voz e guitarra), o outro é Sam, o mais novo. Na bateria está Danny Wagner.

Aqui, podemos introduzir a dona Gretna Van Fleet. Pelo nome já se percebe que a história dela se cruza com este quarteto hard rock em algum ponto. Ela tem 88 anos e também faz música, mas de violino na igreja de Frankenmut, uma remota cidade com menos de 5 000 habitantes no estado americano de Michigan.

O nome da dona Gretna deu origem aos Greta, senhores de um poderio impressionante, incansáveis no palco, a lembrar os suados espetáculos de rock dos anos 70. Josh, já se sabe, tem uma voz fulgurante. Ri-se no fim de cada canto esganiçado, numa mostra que gosta tanto de estar ali como o público de o ver.

Sam bate no baixo à antiga e leva-o ritmado em riffs rápidos que servem de base à guitarra. Esta, de Jake, é outra coisa estonteante. Quase todas as músicas têm solos mas isso não chegava. Era preciso inovar. Vai daí, em "Brave New World", a penúltima do alinhamento do NOS Alive, Jake leva a guitarra às costas e brinda os presentes com um solo rapidíssimo às cegas. A guitarra, agora tocada nas costas, não chora. É uma jornada longa sem uma nota fora do sítio, pelo menos que nos tenhamos apercebido, e começam a surgir aplausos rendidos a meio. É um momento brilhante de técnica impressionante.

De volta à dona Gretna, ela não sabe só violino. Também já tocou gaita de foles e bateria. Curiosamente, só soube há um par de anos que o seu nome tinha inspirado os Greta Van Fleet. Foi quando os irmãos Kiszka foram tocar ao Fischer Hall, a casa de espetáculos de Frankenmut, de onde também eles são naturais. "Se sou eu, perdi os ensaios", ironizou Gretna, ao saber pelos amigos que a banda tinha o seu nome.

Hoje, sete anos depois do início da banda, os Greta Van Fleet só têm um álbum. Chama-se "Anthem of the Peacefull Army" e foi lançado no ano passado. No NOS Alive tocaram grande parte do disco antes de se despedirem debaixo de uma longa chuva de aplausos. O público não era muito - terá apostado no psicadelismo reggae de Tash Sultana no palco Sagres - mas quem viu Greta saiu certamente rendido. Antes do adeus, houve "When the Curtain Falls", igualmente de poderio acentuado, e aqui já mais conhecida do público.

Porque é que, afinal, a dona Gretna e os roqueiros Greta têm o nome semelhante? E o que é que o facto dela não saber cortar a lenha tem a ver com isto tudo? Segundo os irmãos, quando a banda era amadora e ainda não tinha nome, surgiu a oportunidade de darem um concerto grande. Andavam, então, à procura de nome, quando o avô de Hauck (o ex-baterista da banda, substituído em 2013) disse que precisava de cortar a lenha à senhora Gretna. O grupo ouviu-o a dizer isso e achou que o nome da mulher era nome de banda de rock. Tiraram-lhe o "N" para ser mais fácil de soletrar e surgiram, assim, os Greta Van Fleet.

Por curiosidade, a dona Gretna não gosta de hard-rock mas já os viu ao vivo, apoia-os e acha-os "muito talentosos". Nós agradecemos-lhes por não deixarem morrer o espírito dos anos 70. E, já agora, agradecemos à dona Gretna por não saber cortar a lenha.

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