Entrevista

Joaquim Almeida : "É muito difícil viver na América de Trump"

Joaquim Almeida : "É muito difícil viver na América de Trump"

Nada dá mais prazer ao ator Joaquim Almeida do que contar histórias. Por isso, mais uma vez, volta a desafiar personalidades de diferentes gerações e áreas artísticas para partilharem histórias reais com o público no festival "Grant's Stand Together" que terá sessões em Lisboa, no Cinema São Jorge, nos dias 18 e 19 de maio e, no Porto, no Coliseu, dia 26 .

Sob o mote «Histórias tão verdadeiras que nem vais acreditar», a sétima edição do festival junta um naipe de convidados que irão para contar histórias na primeira pessoa. Beatriz Gosta, Carolina Deslandes, Enrique Arce (da série Casa de Papel), Gisela João, Kalaf Epalanga, Malu Magalhães, Bruno Nogueira, Cedric Soares e Pedro Fernandes são apenas alguns dos convidados deste ano.

Já apresenta um festival há meia dúzia de anos. O que é que ainda o atrai no formato?
É verdade, Já são muitas sessões. Eu próprio estou a ficar sem histórias porque houve anos em que contei mais do que uma. E isto por uma razão. É que quando nos sentamos à mesa entre amigos e se começa a contar uma história, que é o que de certa forma acontece neste festival, acabamos por nos lembrarmos de mais outra. Há um encadear de conversa que é muito interessante.

Este ano vai testar alguma fórmula nova?
O que me faz continuar a gostar de apresentar é o facto de este festival continuar a surpreender. Vêm contadores de histórias de áreas muito diferentes. Logo os temas variam imenso. Mas, mesmo assim, estou a pensar numa maneira de mudar um bocadinho. Talvez chame alguém do público para contar a sua própria história para criar um fator surpresa extra.

Sendo um ator muito requisitado nos Estados Unidos da América como concilia o seu trabalho com o de apresentador deste festival?
Concilio, porque isto está organizado precisamente em consonância com a minha agenda. No ano passado, por exemplo, como eu estava muito ocupado com o meu papel na serie "Rainha do Sul" (faz de Don Epifanio Vargas) o festival teve de ser agendado só para junho. Este ano também estive ocupado com várias séries, mas conseguimos arranjar este período de tempo em maio.

Tem novos projetos em curso?
Continuo a fazer coisas Mas estou mais velho e já não me preocupo tanto em ter muito trabalho. Este ano já colaborei em várias séries. Entretanto, o meu filho, (Lourenço Almeida) começou também a fazer uma participação na série "Rainha do Sul". Faz de mim em novo. Acabou de filmar ontem (segunda-feira) e está muito contente com o resultado. Os colegas atores deram-lhe os parabéns pelo desempenho - Acho ótimo. Este foi um bom começo para ele.

E tem tido convites para filmar?
Sim. Ainda agora estou a negociar a minha participação num novo filme que os norte-americanos querem fazer sobre Fátima. Estiveram cá no ano passado a filmar com o Harvey Keitel e a Sónia Braga e este ano voltam. Fizeram-me a proposta e estou a ponderar. Não é exactamente o que eu queria mas os meus agentes estão a negociar com eles.

E Portugal não lhe faz convites?
Ultimamente não tenho tido convites de Portugal. Não sei se é porque os filmes portugueses têm cada vez menos dinheiro. Dá-me a ideia é de que, quando filmei cá o dinheiro para me pagar já era pouco muito menos devem ter para me pagar agora. Não sei. É estranho. Mas continuo a trabalhar aqui e ali, embora ultimamente me tenha virado mais para os Estados Unidos da América. Com a idade não me apetece andar aos saltos de um lado para o outro. Prefiro trabalhar perto de casa, estar com a família.

Como gere as suas permanências em Portugal e a América?
Os invernos passo - os lá de certeza. Como vivo na praia os invernos de lá são mais amenos. A Portugal venho sempre passar o Natal. E, depois, gosto de estar cá no verão sempre que o meu trabalho mo permite. Se este ano se concretizar a ideia do filme sobre Fátima junto o útil ao agradável. Faço férias e trabalho e passo cá o verão todo.

Como é viver na América liderada por Donald Trump?
É muito difícil. Esta é uma presidência completamente diferente das anteriores, quer fossem de direita ou de esquerda. Ele não pertence nem a democratas nem a republicanos. Não pertence a lado nenhum. A mentira generalizou-se o que é uma coisa muito estranha. É como se fosse normal que um presidente diga mentiras. São as camadas populacionais menos educadas que ele consegue levar a acreditar. E, depois, temos a Fox News, que representa a grande indústria americana , e que está interessada em perpetuá-lo no poder porque lhe convém pagar menos impostos. Depois é o que se vê. Donald Trump continua empreendido em acabar com tudo o que Barack Obama fez. E continuamos o problema da NRA que continua a mandar em muito na questão das armas. Não se consegue fazer lei nenhuma. Mas, para mim, o maior crime da administração Trump é o que se está a fazer em matéria de destruição de leis de proteção ambiental. Por isso, espero bem que, ao fim de quatro anos todo este panorama mude.

Donald Trump seria um bom candidato para vir contar histórias ao festival "Grant's Stand Together" ?
Não. Porque neste festival as histórias que se contam têm de ser verdadeiras. Ele só conta mentiras. Portanto, acho que estava chumbado.

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