Cinema

Macau à procura de impor o seu festival

Macau à procura de impor o seu festival

Arranca esta sexta-feira e vai até dia 14 de dezembro: é a 2.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Macau. Este ano não passa filmes portugueses, mas há dois projetos nacionais que vão a Oriente à procura de financiamento.

Depois de uma primeira edição marcada por alguma falta de organização e sobretudo pelo abandono do seu diretor artístico, o bem conhecido Marco Muller, ainda antes da abertura do festival, começa esta sexta-feira, dia 8 de dezembro, no antigo território administrado por Portugal a 2.ª edição do que se chama, oficialmente, International Film Festival & Awards - Macao.

Se o território onde cada vez menos pessoas falam português está a ser transformado, e muito rapidamente, numa espécie de Las Vegas asiática, com a construção de inúmeros hotéis à medida da lendária "sin city" norte-americana, o festival não se exime também de procurar transpor para o mundo do cinema o conceito e a ideia de luxo asiático.

Com relações históricas e culturais fortes com o nosso país, a 1.ª edição do festival apresentava na sua seleção oficial um filme português, "São Jorge", que valeria a Marco Martins o prémio de realização e a Nuno Lopes o prémio de interpretação. Este ano, o cinema português prima no entanto pela ausência.

O festival abre com a exibição de "Paddington 2", um filme para todos os públicos, misturando animação e imagem real, e tem uma secção competitiva com dez títulos, onde se destacam obras como "Borg McEnroe", já estreado entre nós, ou "Jusqu"a la garde", do francês Xavier Legrand, além de filmes de países como Argentina, Israel ou Reino Unido.

A China, para quem este festival pretende vir a ser uma plataforma de divulgação, nacional e internacional, está representada por "Wrath of silence", de Yukun Xin. Naturalmente, o cinema asiático está muito presente nas outras secções do certame, prevendo-se a presença de nomes grandes do cinema local, alguns com forte penetração internacional, como Michelle Yeoh ou Joan Chen, que partilhará o júri com Laurent Cantet, Lawrence Osborne, Jessica Hausner e Royston Tan.

Uma das áreas mais esperadas do festival é ainda o chamado Project Market. Segundo as palavras da organização, a histórica cidade de Macau, na intersecção da cultura europeia e asiática, é o local indicado para realizadores com projetos válidos se reunirem com produtores e financiadores que poderão ajudá-los a montar os seus filmes. Este ano, de entre os 14 projetos selecionados, há dois portugueses: "Daedalus", de Jerónimo Rocha, e "Projeto global", de Ivo M. Ferreira, o autor de "Cartas de Guerra", que, aliás, habita desde há alguns anos no território agora administrado pela China.