Entrevista

Marisa: "Adoro cada passo que a vida me tem oferecido"

Marisa: "Adoro cada passo que a vida me tem oferecido"

Acompanhada pela Orquestra Clássica do Centro, Mariza atua em Coimbra nesta segunda-feira, feriado local. A procura foi tal que houve necessidade de marcar mais um horário. Em entrevista ao JN, mostra-se honrada e grata com o carinho recebido dos fãs.

O concerto agendado para as 17 horas, no Convento São Francisco, no âmbito das Festas da Cidade e da Rainha Santa Isabel, teve tal procura, que se marcou outro para a noite. "Surpresas" que não imaginava. A menina que aos 5 anos começou a cantar fado tornou-se mulher fadista, de personalidade bem vincada, como que cumprindo um destino. Ela acredita. "Pesquise-se a palavra fado, e logo se entenderá", diz, nesta entrevista por escrito ao JN. Cidadã do mundo, com passagem pelos maiores palcos internacionais, deixou de fazer 120 concertos por ano desde que foi mãe: quer estar mais próxima da família.

Os bilhetes inicialmente postos à venda para o primeiro concerto que tem agendado para Coimbra esgotaram em 45 minutos. Canta fado desde os 5 anos. Em menina, alguma vez imaginou que algo assim pudesse acontecer?

Nunca imaginei nada destas surpresas na minha vida. Mas são muito bem-vindas. Ao princípio não entendia muito bem o que me estava a acontecer, confesso que ainda fico desconfiada, pois acho tudo muito efémero, mas adoro cada passo que a vida me tem oferecido.

Em Coimbra, vai atuar pela primeira vez com a Orquestra Clássica do Centro. É um concerto especial? O que podemos esperar dele? Vai debruçar-se sobretudo sobre as canções do seu mais recente álbum, "Mundo", percorrer êxitos da carreira ou haverá alguma surpresa?
Os meus concertos são sempre especiais, nunca consigo cantar igual duas vezes. Mas são especiais também porque dou tudo o que tenho em palco, como se não houvesse mais nada além desse concerto. Vou cantar com a orquestra sim, fico muito feliz por podermos partilhar música e emoções. Se vos contar o que vai acontecer, já não vai ter piada.

Define-se como uma cidadã do mundo, vive em trânsito, pisa os maiores palcos internacionais. Mas atuar em Portugal tem outro sabor?
Cantar no meu país é sempre um privilégio, já que raramente existe agenda para concertos em Portugal. E depois do nascimento do meu filho fiquei com vontade de fazer menos "tours". Note-se que eu fazia 120 concertos por ano. Agora faço metade, porque quero estar mais perto da família. E isso acabou por influenciar tudo, a forma de cantar, de sentir, de amar... Cantar onde falam a minha língua, para a minha gente, tem sempre um sabor especial.

Ainda fica nervosa antes de um espetáculo?
Fico, mas já com uma certa sabedoria, os anos vão passando. Aprendi a controlar melhor o meu estado de alma. A adrenalina com o nervosismo é uma bomba! Mas quando deixar de ser assim é porque já não tenho nada para dar.

Disse numa entrevista que nasceu prematura, com seis meses e um quilo, e o seu pai fez uma promessa: se sobrevivesse, ia ser cantora. Estava destinado? Ou poderia ter seguido outro rumo?
Eu acredito no destino, pesquise-se a palavra fado, e logo se entenderá. Sou uma mulher de fé, de crenças religiosas, e acho que na vida tudo tem uma lógica e um significado. Por isso, acho que o caminho teria que ser mesmo este.

Tem um percurso recheado de prémios e distinções. Qual o maior prémio que lhe poderiam dar?
O maior prémio que me podem dar é o carinho. Entenderem o meu fado, que cada vez mais tem a minha personalidade gravada, sem tentar quebrar raízes ou tradições, independentemente da língua, género, credo ou cor política. A música é muito mais que isso. E assim alimento a alma.

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