Cultura

Mia Couto "surpreendido" venceu o Prémio Camões

Mia Couto "surpreendido" venceu o Prémio Camões

O Prémio Camões foi atribuído esta segunda-feira a Mia Couto, disse a Secretaria de Estado da Cultura. O anúncio do vencedor foi feito no Rio de Janeiro, Brasil, onde o júri se reuniu.

Mia Couto é o vencedor da 25.ª edição do prémio, que distingue um autor da literatura portuguesa.

O escritor moçambicano Mia Couto mostrou-se surpreendido por ter sido o vencedor, tendo ficado "muito feliz" com esta distinção, num dia que, revelou, não lhe estava a correr de feição.

"Recebi a notícia há meia hora, num telefonema que me fizeram do Brasil. Logo hoje, que é um daqueles dias em que a gente pensa: vou jantar, vou deitar-me e quero me apagar do mundo. De repente, apareceu esta chamada telefónica e, obviamente, fiquei muito feliz", avançou à agência Lusa Mia Couto, sem adiantar as razões.

Mia Couto disse que "não esperava" ser distinguido com este prémio e acrescentou: "Não espero nunca uma coisa destas. Tenho com os prémios uma relação de distância, não de arrogância, mas pensando que não vale a pena olhar para eles porque a gente trabalha por outra razão, que são outros prémios mais importantes que este".

Mia Couto reforçou que "um escritor ou qualquer outro artista que começa a piscar o olho a um prémio fica cego", brincando com o nome do galardão com que foi hoje distinguido ao acrescentar que, quem o faz, "tem o olho como o Camões".

O vencedor da edição deste ano do Prémio Camões destacou que a distinção ajuda a promover a imagem de Moçambique no exterior, frisando que ainda recentemente esteve no Canadá, na Colômbia e nos Estados Unidos [da América] e muita gente ignorava a própria existência daquele país africano, "tão periférico e tão desconhecido", como o classificou.

Sobre o valor monetário que acompanha o prémio, Mia Couto disse à Lusa que ainda não pensou na utilização que lhe dará.

"Não pensei. E, também, se pensar, não digo a ninguém, digo só à minha mulher e aos meus filhos", afirmou.

O anúncio do vencedor foi feito hoje, no Rio de Janeiro, onde o júri se reuniu.

O júri integrou os escritores José Eduardo Agualusa e João Paulo Borges Coelho, o jornalista José Carlos Vasconcelos, a catedrática Clara Crabbé Rocha, o crítico Alcir Pécora e o embaixador e membro da Academia Brasileira de Letras Alberto da Costa e Silva.

A reunião decorreu no Palácio Gustavo Capanema, sede do Centro Internacional do Livro, Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

O Prémio Camões foi criado em 1988 por Portugal e pelo Brasil para distinguir um autor de língua portuguesa que, "pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum".

Em 2012 foi atribuído ao escritor brasileiro Dalton Trevisan e no ano anterior ao escritor português Manuel António Pina.

Ferreira Gullar (2010), Arménio Vieira (2009), António Lobo Antunes (2007), Sophia de Mello Breyner Andresen (1999), Pepetela (1997), José Saramago (1995) e Jorge Amado (1994) também já foram distinguidos com o Prémio Camões que, na primeira edição, reconheceu a obra de Miguel Torga.

Em 2006, o escritor angolano José Luandino Vieira recusou o prémio.

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