Música

Nirvana, Guns N' Roses e R.E.M. com gravações destruídas no incêndio de 2008 na Universal Studios

Nirvana, Guns N' Roses e R.E.M. com gravações destruídas no incêndio de 2008 na Universal Studios

O incêndio que deflagrou, em 2008, na Universal Studios pode ter sido "o maior desastre na história da indústria da música", de acordo com uma investigação do jornal "The New York Times", que revela terem sido destruídas milhares de gravações.

Inicialmente pensava-se que apenas a parte de cinema teria sido atingida (o cenário de filmes como "Regresso ao futuro" foram inteiramente destruídos) no incêndio que deflagrou em 2008 nos estúdios da Universal, nos EUA. Mas, agora, ficou a saber-se que centenas de milhares de gravações, incluindo material de bandas como Nirvana, Guns N' Roses ou R.E.M., entre muitas outras de uma longa lista que inclui verdadeiras lendas da música, também ficaram irremediavelmente perdidas.

Gravações de ícones como Louis Armstrong, Duke Ellington, Count Basie, John Coltrane, Dizzy Gillespie, Buddy Guy, Tom Petty e os Heartbreakers, Elton John, Chuck Berry e Aretha Franklin foram consumidas pelo fogo a par do trabalho de artistas contemporâneos como The Police, Sting, Nirvana, Eminem, ou Snoop Dogg.

De acordo com o jornal norte-americano, que cita documentos da investigação judicial de 2009 a que teve acesso, estima-se que os "ativos destruídos" sejam na ordem dos 118.230. Mas outro relatório confidencial obtido pelo jornal revela que Universal Music Group (UMG) admite ter perdido "cerca de 500 mil títulos de músicas".

Faixas específicas que foram supostamente queimadas incluem "Rock Around the Clock" de Bill Haley and His Comets, "At Last" de Etta James, "Louie Louie" dos Kingsmen e "People Get Ready" das Impressions. Como explica o jornal, "houve gravações de importantes editoras que foram absorvidas pela Universal ao longo dos anos, (onde pontuam as históricas Decca, Chess e Impulse) cujos registos também se perderam. Algumas dessas perdas têm valor incalculável, já que entre elas estima-se que todo o catálogo Decca de Billie Holiday tenha sido perdido.

A UMG já veio a público contestar a reportagem do jornal alegando existirem na reportagem "numerosas imprecisões, declarações enganosas, contradições e mal-entendidos fundamentais sobre o incidente e os ativos afetados". Em comunicado a editora sublinha que "a preservação musical" é a sua mais alta prioridade e que está orgulhosa do seu histórico.

Embora admita que "existam restrições que nos impedem de abordar publicamente alguns dos detalhes do incêndio ocorrido nas instalações da NBC Universal Studios há mais de uma década, o incidente, embora profundamente infeliz, nunca afetou a disponibilidade da música lançada comercialmente nem prejudicou a remuneração dos artistas ".

No artigo, o jornal ainda chama atenção para o material de artistas "esquecidos" de ritmos como gospel, blues, jazz, country e mais, que foram totalmente destruídos.