1956-2019

Morreu a cantora portuguesa Dina

Morreu a cantora portuguesa Dina

Dina, a cantora portuguesa célebre pela música "Amor d'Água fresca", morreu, esta quinta-feira à noite, aos 62 anos.

A notícia foi avançada pela RTP.

A cantora, que venceu o Festival da Canção em 1992, lutava contra uma fibrose pulmonar desde 2006. A doença forçou-a a abandonar os palcos em 2012 e, no início do ano passado, tornou-se público que a artista necessitava de um transplante pulmonar. Estava internada no Hospital Pulido Valente.

O velório realiza-se a partir das 17 horas desta sexta-feira na Igreja Paroquial de São Tomás de Aquino, em Lisboa, disse à agência Lusa fonte próxima da família. O funeral, reservado a familiares e amigos, está marcado para as 14 horas de sábado, no Cemitério dos Olivais.

Longa carreira na música

Dina, nome artístico de Ondina Maria Farias Veloso, nascida em junho de 1956, no Carregal do Sal. Autodidata, integrou vários grupos até que, em 1980, participou no Festival da Canção. O tema que então cantou, "Guardado em mim", classificou-se nos últimos lugares da tabela, mas a intérprete acabaria por conquistar a crítica que, pela primeira vez, lhe atribuiu um Prémio Revelação.

Nos anos seguintes, gravou os singles "Pássaro doido", "Amar sem aviso", "Há sempre música entre nós" e "Retrato", bem como o álbum "Dinamite". Volta a participar no festival em 1982, com "Gosto do teu gosto"-

Ainda durante a década de 80, aceitou convites para a gravação de genéricos de programas de televisão, tendo dado voz a um dos principais temas da novela portuguesa "Vila Faia".

Foi em 1990 que conheceu Luís Oliveira, que viria a ser o produtor do álbum "Aqui e agora", editado no ano seguinte, quando teve início a parceria entre Dina, Rosa Lobato de Faria e João Falcato, responsáveis por temas como "Acordei o vento", "Suco açúcar", "Por alto mar" e a "Cor da vida".

O grande sucesso da sua carreira chegou em 1992. "Amor d'Água fresca" deu-lhe finalmente a vitória no Festival da Canção e levou-a à Eurovisão.

Dina compôs, em 1995, o hino do CDS. Atitude de que sempre assumiu não se arrepender, mas que reconhecia ter-lhe "fechado muitas portas".

Em 1997, chega às lojas novo trabalho de originais, "Sentidos", e, no ano seguinte, volta a contribuir com dois temas de sua autoria para uma banda sonora de novela, no caso, "Os lobos".

Esta seria, aliás, uma experiência que voltaria a repetir em 2001, quando assinou quatro temas para a telenovela "Filha do mar". No ano seguinte, foi também a autora de temas da novela "Sonhos traídos".

Na ocasião, aproveitando o balanço dos êxitos televisivos, Dina começou a preparar um novo trabalho de originais. Contudo, um acidente de viação, que a afetou bastante, impediu-a de concretizar este projeto.

Com um percurso que oscilou entre o sucesso e o esquecimento, a cantora Dina nunca abandonou o meio musical. Em 2008 lançou a coletânea "Da cor da vida", a que acrescentou dois temas inéditos, "Esta manhã em Lisboa " e "O teu olhar mentiu". Um ano depois, em setembro, assinalou 30 anos de carreira com um concerto único que teve como palco o Teatro São Luiz, em Lisboa.

Mais recentemente, em 2016, a cantora foi alvo de um espetáculo / homenagem feito por uma série de artistas das novas gerações de músicos e disso mesmo deu conta o Jornal de Notícias num artigo assinando pelo nosso camarada de redação Cristiano Pereira. Nomes como Ana Bacalhau (dos Deolinda), B Fachada, Best Youth, D´Alva, Da Chick, Márcia, Mitó, Samuel Úria e Tochapestana foram os protagonistas dos dois concertos "Dinamite", que tiveram como palcos o Teatro São Luiz, em Lisboa e no Teatro Municipal Rivoli, no Porto. A ideia partiu de Gonçalo Tocha, o realizador e cantor dos Tocha Pestana, e não pretendeu apenas homenagear a obra de Dina mas, também, oficializar o encerramento da carreira da cantora que desde 2007 sofria de fibrose pulmonar, doença que a impedia de cantar e atuar. "Tenho pouca capacidade pulmonar, levanto um braço e fico logo cansada", desabafou na ocasião. Nesta altura com 60 anos a cantora encarava a situação sem qualquer tipo de dramatismo. Muito pelo contrário: queria que se fizesse a festa e não escondia a sua alegria perante a iniciativa que festejava os seus 40 anos de carreira.

"Estou muito grata e contente por isto estar a acontecer e ver esta gente nova a fazer isto com gosto". Apesar das limitações físicas, Dina não colocava de parte a hipótese de subir ao palco e cantar. Na mesma entrevista assumia que iria tentar fazê-lo."Estou a ensaiar uma canção com mais espaço, mais tranquila, para lá ir arriscar". A cantora sabe que "pode ser coisa para correr mal" mas não resiste: "Eu depois lá me viro", aponta, sublinhando que "o ambiente muito positivo" da iniciativa é bastante motivador.

Os concertos, escrevia Cristiano Pereira, "vão revisitar na íntegra o primeiro álbum de Dina, 'Dinamite', de 1982, para além de outras 12 canções feitas entre 1980 e o ano 2000, escolhidas ao gosto dos artistas convidados". "É gente desta nova vaga, um pouco alternativa, que não está comprometida com o sistema mas que é comprometida com o seu trabalho e leva tudo a muito a sério", elogia Dina.

A cantora tornou-se conhecida do grande público em 1980, durante a primeira transmissão a cores da RTP: o Festival da Canção, no qual ganhou o prémio revelação. Foi com Dina que Carlos Paião gravou a canção "Quando as nuvens chorarem", em 1988, pouco antes da sua morte. "Amor d'Água fresca", o maior êxito de Dina, foi gravado em 1992.