1942 - 2018

Aretha Franklin deixou-nos aos 76 anos. Respect

Aretha Franklin deixou-nos aos 76 anos. Respect

Morreu esta quinta-feira a cantora norte-americana Aretha Franklin, aos 76 anos.

Quando Nina Simone nos partiu o coração em 2003, a poltrona onde se senta o imaginário dourado das divas negras que nos fizeram crescer com metade do coração noutra cor ficou inteira para Aretha Franklin. Agora, também a rainha da soul (e do gospel e do rhythm & blues) a quem foi diagnosticado cancro do pâncreas em 2010 nos deixou. Respect. A informação foi confirmada por um representante à agência de notícias Associated Press e surge após a notícia de que estava gravemente doente.

A agente Gwendolyn Quinn enviou à Associated Press (AP) uma declaração da família, na qual anuncia que Aretha Franklin morreu esta quinta-feira, às 9.50 horas locais (14.50 horas em Portugal continental) em casa, em Detroit, no estado do Michigan. "A causa oficial da morte de Aretha Franklin foi um cancro avançado no pâncreas do tipo neuroendócrino, confirmado pelo seu oncologista, Philip Phillips, do Karmanos Cancer Institute", lê-se na declaração da família, difundida pela AP.

"Num dos momentos mais sombrios das nossas vidas, não conseguimos encontrar as palavras apropriadas para expressar a dor que sentimos no nosso coração. Perdemos a matriarca e a rocha de nossa família", lê-se na declaração da família.

Aquela que é, segundo a revista americana Rolling Stone, a "maior cantora de todos os tempos", tinha 76 anos (mais seis que Nina quando morreu) e estava, nos últimos dias, rodeada de familiares e amigos, em Detroit, no Estado do Michigan, nos Estados Unidos, onde nasceu (a 24 de março) e começou a cantar. A família, que confirmou a gravidade da situação, pedira privacidade e orações. "I say a little prayer for you".

No ano da doença, Aretha Franklin, que gravou o primeiro disco aos 14 anos, perdeu muito peso e cancelou vários concertos. Cinco anos depois, com os exames a garantirem que estava bem de saúde, a segunda maior detentora de estatuetas Grammy da história (18) fez uma rara aparição na 38ª edição do prémio do Centro Kennedy, em Washington D.C., para homenagear a compositora da mesma idade Carole King.

Obama emocionado

Barack Obama era ainda presidente dos EUA e estava na plateia. Aretha, condecorada com a medalha presidencial da Liberdade, ativista, feminista, ícone maior da música e dos direitos civis negros, entra na sala coberta de brilhantes, muito lenta e longa num imponente casaco de pele, segue direta ao piano e ao primeiro sinal de voz intacta em "(You make me feel) a natural woman", Obama começa a chorar.

Pouco depois, aquela que será uma das vozes mais marcantes de sempre da música toda, levanta-se, desfaz-se do casaco, continua a cantar "You make me feel...", a sala ergue-se, irrompe num arrepiante aplauso e Obama recompõe-se e sorri. E canta. Aretha Franklin já cantara para Obama em janeiro de 2009 quando tomou posse como 44º presidente dos EUA. A escolha recaíra sobre a patriótica "My Country, "Tis of Thee", escrita em 1831 por Francis Smith mas que encaixou na perfeição no que foi o discurso do primeiro presidente negro.

No ano passado, a intérprete de "Respect" - primeiro single a atingir, nos anos 60, o primeiro lugar na lista dos mais vendidos dos EUA - anunciou a retirada. "Estou muito grata e satisfeita com a minha carreira e com o que conquistei. Vou sair mas não vou ficar sentada em casa sem fazer nada. Isso não seria bom", ressalvou, deixando a porta aberta para a concertos esporádicos. Aconteceu pela última vez em novembro, em Nova Iorque, na gala que assinalou o 25º aniversário da Fundação criada por Elton Jonh para apoiar programas de prevenção do HIV.

Pouco antes, em junho, Detroit inaugurou uma rua com o seu nome. Na cerimónia de inauguração, ela fez uma promessa: "De todas as vezes que passear por aqui, vou dançar." E chorou.

Último álbum produzido por Stevie Wonder

Em 2017, ao mesmo tempo que anunciava a retirada, Aretha Franklin dava conta da intenção de gravar um último álbum de originais produzido por Stevie Wonder, que não se sabe se chegou a ser gravado. A sua carreira discográfica começou em 1956 com "Songs of faith", sendo o último registo de 2014, com "Aretha Franklin Sings the Great Diva Classics". Em 60 anos de carreira, foi a primeira mulher a entrar para o Rock and Roll Hall of Fame e figurou inúmeras vezes nas listas dos melhores cantores de sempre. Deixa canções que se tornaram inconfundíveis na voz dela, como "Respect", "I say a litlle prayer" ou "(Sweet, Sweet Baby) Since You"ve Been Gone"

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