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Morreu o ator Carlos Santos

Morreu o ator Carlos Santos

O ator Carlos Santos, de 79 anos, morreu no domingo no Hospital de Faro, disse, esta segunda-feira, fonte próxima da família.

O ator, que teve uma das últimas distinções no desempenho do PIDE Rosa Casaco, no filme "Operação Outono", de Bruno Almeida, morreu na sequência de um pós-operatório traumático, depois de sido submetido a uma intervenção cirúrgica na coluna cervical.

O corpo do ator está em câmara ardente na Capela dos Claustros da Basílica da Estrela, em Lisboa, a partir das 17 horas de terça-feira.

O funeral realiza-se às 16 horas de quarta-feira para o cemitério do Alto de S. João, onde o corpo será cremado, disse à Lusa fonte próxima do ator.

O ator, que se estreou profissionalmente em 1963, ia casar em dezembro com a atriz Amélia Videira.

A série "Terapia" foi dos seus últimos trabalhos em televisão.

O desempenho no filme "Operação Outono", sobre os últimos dias do general Humberto Delgado, valeu a Carlos Santos o prémio de melhor ator de cinema da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e o prémio Sophia para melhor ator, da Academia Portuguesa de Cinema, em 2013.

No cinema, Carlos Santos trabalhou com Luís Filipe Rocha, António de Macedo, Joaquim Leitão, José Fonseca e Costa e Leonel Vieira.

Também fez parte do elenco do derradeiro filme de Fernando Lopes, "Em Câmara Lenta".

Quando da entrega do prémio de melhor ator, da SPA, a Carlos Santos, este recordou que completava então (2013) 50 anos de carreira profissional, "em teatro, rádio, cinema e televisão", e 65 anos desde que pisara pela primeira vez um palco, no 'seu' Liceu Gil Vicente, em Lisboa, tendo trocado o curso de Medicina, pelo trabalho de ator.

Carlos Santos, na altura, destacou ainda a importância da memória, e do filme de Bruno de Almeida, ao falar de Humberto Delgado, o candidato da oposição à ditadura, em 1958, e do seu assassinato; a importância de haver um filme a falar da PIDE, "daqueles torcionários e daquele julgamento horroroso, feito nos anos 1980, em que todos os pides foram ilibados".

"E é este o caminho - prosseguiu o ator nas suas declarações -, o caminho em que temos vindo a regredir após o 25 de Abril, aliás, após o 25 de novembro".

Carlos Santos, que se estreou com José Viana no Teatro de Revista ("uma homenagem que tarda", disse o ator) somou, nos últimos anos, participações em "Bem-vindos a Beirais", "Vidas de sal", "O bairro da fonte", "Uma família açoriana", "O teu olhar", "Quando os lobos uivam", "A viúva do enforcado".

"O julgamento", "A capital", "O amor desceu em paraquedas", "Tudo isto é fado", "Olhó passarinho", "A banqueira do povo", "A selva" e "Tarde demais" foram outros trabalhos em que Carlos Alberto participou como ator.

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