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Novo filme de Quentin Tarantino já se mostrou em Cannes

Novo filme de Quentin Tarantino já se mostrou em Cannes

A estreia mundial de "Once Upon a Time in Hollywood" é o acontecimento de Cannes

Saído há algumas horas da sala de montagem, "Once Upon a Time in Hollywood", o novo filme de Quentin Tarantino teve a sua primeira exibição mundial a meio da tarde desta terça-feira, no Festival de Cannes, onde é um dos 21 filmes a concurso. O realizador venceu a Palma de Ouro há exatamente 25 anos, com "Pulp Fiction", mas desta vez a conquista do prémio ficou para segundo plano.

Aconteça o que acontecer com a decisão do júri presidido por Alejandro Gonzalex Iñarritu, que revelará o seu palmarés no próximo sábado ao fim da tarde, o filme de Tarantino já é o grande acontecimento do festival. E a organização tudo fez para que isso acontecesse. Sem qualquer sessão especial a anteceder a projeção de gala, restringindo assim a entrada a centenas de jornalistas que ficaram à porta, a sessão de imprensa, iniciada à mesma hora, teve direito a um pedido especial, para que não fosse revelado nenhum dos segredos do filme...

A história do filme decorre em Hollywood, durante o verão de 1969 e culmina no dia 9 de Agosto, a data do assassínio de Sharon Tate por membros da seita de Charles Manson. Mas estamos no domínio da ficção e se Tarantino já ousou alterar o rumo da História, no que diz respeito à Segunda Guerra Mundial, em "Sacanas Sem Lei", porque não fazer o mesmo em relação a um dos episódios mais negros da história de Hollywood?

As personagens centrais do filme são um ator de televisão de segundo plano e o seu amigo, que lhe serve de duplo e de motorista, interpretados por Leonardo DiCaprio e Brad Pitt. São eles que nos conduzem por uma Hollywood louca, onde o sexo e as drogas imperavam, mas onde se respirava também um espírito de liberdade, a que a tragédia do assassínio de Sharon Tate, aqui interpretada por Margot Robbie, iria de certa forma pôr fim.

O ambiente é o ideal para Tarantino expor toda a sua cinefilia, sobretudo associada a um cinema popular, de série B, oriundo de Hollywood ou de algum cinema europeu da época que lhe copiava os códigos. "Once Upon a Time in Hollywood" é pois um festim para o cinéfilo deste lado do ecrã, além de ser Tarantino puro, na sua busca de caminhos narrativos, na liberdade que tem de passar de uma cena para outra sem se esquecer do que deixou para trás, nas suas inúmeras piscadelas de olho que sabe de antemão que vão resultar.

Tarantino aposta ainda em pequenos episódios que pululam ao longo da narrativa, seja com personagens verídicas, como a de Bruce Lee, seja com "bonecos" criados com a cumplicidade de grandes atores que não têm qualquer problema em fazer apenas uma pequena aparição, como é o caso de Al Pacino. De resto, o elenco é de luxo, com presenças ainda de Kurt Russell, Dakota Fanning, Tim Roth, Bruce Dern e tantos outros.

"Once Upon a Time in Hollywood" é Tarantino puro, da primeira à última imagem. De um tema da banda sonora ao que se lhe segue. Na forma como alterna a violência com o humor, ou de como no seu cinema uma coisa pode gerar a outra. Politicamente incorreto, historicamente livre, entusiasticamente divertido, "Once Upon a Time in Hollywood" é para quem gosta mesmo do cinema de Quentin Tarantino