O Jogo ao Vivo

Marés Vivas

O público gritava saudades de Keane e os britânicos correram a carreira

O público gritava saudades de Keane e os britânicos correram a carreira

O microfone de Tom Chaplin segurou não só a bandeira de Portugal, como um concerto que fez parecer que os Keane nunca deixaram os palcos, esta sexta-feira, no primeiro dia do Meo Marés Vivas.

O grande regresso dos britânicos, separados desde 2013, fez-se para um recinto lotado, que gritava saudades. Keane respondeu ao abrir com Bend and Break, do álbum de estreia Hopes And Fears, a um saudosismo que caminhou por todos os álbuns. Aliás, Silenced By The Night, de 2012, não deu margem para dúvidas. Keane iam percorrer a carreira neste concerto. E a certeza veio quando se ouviu Spiralling do disco Perfect Symetry.

Nem o frio e o vento afastou os festivaleiros. O próprio vocalista brincava: "Nunca apanhei uma constipação em Portugal". Talvez seja desta. Mas antes, deu um cheirinho do álbum que voltou a reunir a banda com o single The Way I Feel. Sai em setembro, e muitos da plateia já o cantavam. Difícil era Chaplin, ao som do piano de Tim Rice-Oxley, cantar alguma que o público não soubesse de cor. Até porque havia quem ali estivesse a vê-los pela 13.ª vez. "This is The Last Time" provou que o concerto ia superar o sucesso do espetáculo da banda em 2009 cá, com milhares de telemóveis levantados e Tom a arriscar-se no português. "Everybody"s Changing" e "Somewhere Only We Know" anunciaram o fim de um espetáculo de uma hora e meia.

Mas foi Mishlawi quem inagurou o palco principal. Chegou com "FMR", êxito de 2018, e ganhou logo aí o concerto. O público corria para assistir, mas os lugares da frente já estavam reservados para quem lá estava desde a abertura de portas. Um coro de jovens gritava as músicas do luso-americano, que, aos 22 anos, é caso sério de popularidade. Desafiou o papel ingrato de um recinto despido, habitual para quem abre o palco, e chegou já com uma massa de fãs montada.

Falava metade em inglês, metade em português, e corria a terceira música quando conseguiu sentar quase toda a plateia no chão. Uma contagem decrescente e os saltos do público empurraram-no para o single do primeiro e único álbum, deste ano. Com "Uber Driver" recebeu o histerismo como resposta. Ainda passou por "Rain", antes do sucesso que conta mais de 12 milhões de visualizações: All Night.

O fim do concerto dos Keane anunciava um festival que ia começar a adormecer até que os irlandeses Kodaline subiram ao palco. É o segundo ano consecutivo no festival de Vila Nova de Gaia e arrancaram com Follow Your Fire, do álbum que saiu em setembro de 2018, Politics Of Living. Seguiu-se Ready, de 2015, até voltarem ao último disco com Brother que o público já sabia bem. Foram saltando entre êxitos para todos os que ainda enchiam o recinto.

No Palco Santa Casa, Joana Espadinha falava uma língua diferente e sofria com o vento. Demorou a compor-se a plateia, mas "Leva-me a Dançar" arrecadou acompanhantes nas cantorias da portuguesa que vinha de rosa choque e que ainda fez tributos aos Beatles e passou por Lena D"Água. No palco Meo, ainda houve Os Quatro e Meia. O grupo de Coimbra deu razões ao público para não arredar pé depois de Mishlawi. Trouxe, além do bandolim, acordeão e violino, o sentido de humor. E mesmo quem não sabia as músicas de cor, ergueu os copos de cerveja quase como numa festa da aldeia. A banda que só tem um álbum conquistou o público de tal forma que em "Sentir o Sol", já depois de ele se pôr, todos cantavam em uníssono. "Pra Frente é que é Lisboa", primeiro single do grupo, não pôs os Pontos nos Is, como diz o disco, mas o ponto final num concerto de fato vestido e que foi uma das surpresas da noite.