Música

Os dias claros dos Capitão Fausto

Os dias claros dos Capitão Fausto

"Cantar coisas tristes de forma alegre." É esta a marca que o Brasil deixou na música dos Capitão Fausto, que lançam hoje o seu quarto álbum de originais, "A invenção do dia claro", cuja gravação decorreu ao longo de doze dias nos estúdios da Red Bull Music, em São Paulo.

"Não se conhece um país e uma cultura em apenas duas semanas", admite ao JN o baixista da banda, Domingos Coimbra. "Mas houve uma influência no nosso ânimo, desde logo com a ideia de ir gravar ao Brasil, e os temas parecem mais solarengos e arejados." Musicalmente, houve também uma intromissão tropical, apesar de discreta: "Acabámos por tomar de empréstimo alguns elementos, como o cavaquinho, o pandeiro e outros instrumentos de percussão. Mas não quisemos apropriar-nos de uma cultura musical que não é a nossa."

Fatalidade otimista

O sucessor de "Capitão Fausto têm os dias contados", de 2016, encontra também no título, retirado de um livro de poemas de Almada Negreiros, algo que aponta a esse desanuviamento que o Brasil lhes trouxe: "Descobrimos uma série de paralelos entre aquilo que estávamos a fazer e os versos do Almada, sobretudo a ideia de encontrar otimismo na fatalidade das coisas. O "dia claro" tem de ser "inventado", tem de ser um passo que se dá", afirma Domingos.

O álbum será apresentado na Casa da Música, no Porto, dia 4 de abril, e no Capitólio, em Lisboa, dia 6, mas o seu impacto foi já testado ao vivo, em fevereiro, numa pequena digressão por clubes em Braga, Leiria, Coimbra ou Aveiro.

Reações? "Foi engraçado observar o contraste entre a receção ao nosso repertório já conhecido, incluindo os singles já divulgados do novo álbum ["Sempre bem", "Faço as vontades" e "Amor, a nossa vida"], e às músicas que ninguém tinha ouvido. A atenção do público aumentava sempre com os temas novos. Foi uma espécie de ensaio alargado onde houve uma aprendizagem mútua", explicou o baixista.